segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

27 de Fevereiro de 1933: Incêndio no Palácio do Reichstag, a sede do parlamento alemão, é atribuído ao Partido Comunista, que é proscrito, possibilitando a conquista da maioria parlamentar pelos nazis

Milhares de berlinenses afluíram na noite de 27 de Fevereiro de 1933 ao Reichstag. Em pouco tempo, a notícia espalhou-se: o prédio do Parlamento alemão estava em chamas. Centenas de polícias impediam o acesso ao local, enquanto os bombeiros berlinenses tentavam apagar o fogo. Em vão: o plenário foi completamente destruído pelas chamas.
Curiosos e indignados seguiam rumo ao Reichstag, mas não apenas eles. As lideranças nazis também se apressavam. Joseph Goebbles, líder do partido nazi, o NSDAP, em Berlim, reagiu à mensagem com a pergunta "isso é uma piada?"
Hitler estava perturbado quando chegou ao local. Ele não lamentava pelo Parlamento como instituição, já que sempre desprezou a democracia. O que mais o incomodava era a suposição de que teriam sido os seus inimigos, os comunistas, os responsáveis pelo incêndio. A intenção, segundo Goebbels, era, "por meio do incêndio e do terror, causar tumultos e, com o pânico generalizado, tomar o poder".
Em finais de Fevereiro de 1933, os nazis ainda não tinham consolidado o seu poder, pois somente no dia 30 de Janeiro de 1933 é que o presidente do Reich, Paul von Hindenburg, havia nomeado Hitler para o cargo de chanceler. Hitler não tinha a menor intenção de deixar o poder, e o seu grande receio era uma possível insurreição dos comunistas. Agora, diante de um Reichstag em chamas, ele via um suposto fundamento para as suas preocupações.
Rapidamente os principais suspeitos começaram a ser ouvidos: dentro do prédio em chamas, a polícia havia prendido um jovem de nome Marinus van der Lubbe. O holandês de 24 anos estava há pouco tempo na capital alemã. Rapidamente, as investigações mostraram que Van der Lubbe mantinha ligações com os comunistas. Ele confessou ter provocado o incêndio – mas sozinho, em protesto contra a ascensão ao poder dos nazis.
Hitler não acreditava nessa versão. Ele teria reagido de maneira totalmente histérica ao relato de que uma única pessoa teria incendiado o Reichstag. E, teimosamente, insistiu que uma conspiração comunista estava por trás de tudo. "Se esse incêndio, como acredito, tiver sido obra dos comunistas, precisamos exterminar essa peste assassina com punho de ferro", referiu o Führer. Hermann Göring, comandante da polícia prussiana, declarou estado de alarme máximo e autorizou os seus subordinados a usar armas de fogo.

Para os nazis, o incêndio do Reichstag oferecia uma oportunidade única, algo que Hitler reconheceu de imediato. A população estava profundamente insegura. E as elites conservadoras de burocratas, políticos e militares temiam uma tomada de poder pelos comunistas.
Ainda na mesma noite, a polícia recebeu de Göring a instrução de prender deputados comunistas e funcionários do partido. Especialmente cruel era o comportamento das tropas nazis da SA (Sturmabteilung, literalmente departamento de assalto). Elas levaram incontáveis pessoas para prisões provisórias, na sua maioria localizadas em porões. Lá, os membros da SA torturavam os prisioneiros. Alguns não sobreviveram. Até Abril, aproximadamente 25 mil pessoas foram detidas.
Na sede do governo, o tumulto também era grande. Com toda a pressa, foi emitida uma portaria de defesa contra a suposta ameaça comunista. Ou seja, no dia 28 de Fevereiro de 1933, Von Hindenburg assinaria o Decreto do Presidente do Reich para a protecção do povo e do Estado, que eliminava a liberdade de expressão, de opinião, de reunião e de imprensa. O sigilo do correio também era abolido. Além disso, o governo em Berlim ganhava poderes para "intervir" nos estados, a fim de garantir "a paz e a ordem".
Com o Decreto do Incêndio do Reichstag, como ele ficou conhecido a seguir, os nazis passaram a dispor da ferramenta decisiva para combater os seus inimigos. Sem provas nem controle jurídico, eles podiam agora deter qualquer um que lhes fosse desconfortável. Jornais de oposição, por exemplo, foram logo proibidos.
Grande parte da população acreditava naquilo que estava escrito nos jornais, ou seja, que os comunistas tinham tentado dar um golpe. Um periódico bávaro aplaudia: "Por isso, saudamos as últimas medidas de emergência".
O fim das liberdades democráticas era aceite em silêncio. Hitler deixou-se festejar como o salvador da Alemanha diante do perigo do comunismo. A portaria de emergência do dia 28 de Fevereiro de 1933 foi um duro golpe na frágil democracia da República de Weimar e uma importante etapa no caminho para a ditadura nazi.
Frequentemente surgem boatos de que os próprios nazis teriam incendiado o Reichstag, a fim colocar a culpa nos comunistas. Mas a maioria dos historiadores afirma que realmente tratou-se de um acto isolado, conduzido por Marinus van der Lubbe.
Facto é que Hitler reconheceu a oportunidade e fez uso dela.
Fontes: DW
wikipedia (imagens)
File:Reichstagsbrand.jpg
 File:Reichstagfire1.jpg
A janela na qual supõe-se que Marinus van der Lubbe tenha entrado no prédio

27 de Fevereiro de 1902: Nasce o escritor norte-americano John Steinbeck, autor de "As Vinhas da Ira", Nobel da Literatura em 1962.

Romancista norte-americano, nasceu em 1902 em Salinas, no estado da Califórnia, filho de um político influente, tesoureiro público de origens germânicas, e de uma professora irlandesa. Tendo terminado os seus estudos secundários na sua terra natal, Steinbeck ingressou na Universidade de Stanford com o estatuto de aluno especial. permaneceu entre 1920 e 1926, estudando Biologia Marinha, ciência que influenciaria grandemente a sua obra e a sua perceção do mundo, sem ter, no entanto, chegado a obter o diploma de curso.
Durante estes anos de vida académica, Steinbeck estreou-se como escritor, contribuindo com alguns dos seus contos e dos seus poemas em publicações universitárias. Prosseguiu para o periódico The American, de Nova Iorque, trabalhando primeiro como assalariado até chegar ao posto de repórter, acabando depois por regressar à Califórnia.
Empenhado no esforço da escrita, John Steinbeck optou, em busca de experiência, por levar uma vida de deambulação, sujeitando-se sem pejo aos trabalhos braçais e sazonais mais variados. Assim, para além de ter sido farmacêutico, foi também servente na construção civil, aprendiz de pintor, jornaleiro, caseiro e vigilante. Enquanto tomava conta de uma propriedade em High Sierra, isolada do mundo pela neve durante oito meses por ano, Steinbeck encontrou o tempo e a disposição para escrever o seu primeiro livro, Cup of Gold (1929) que, como os dois romances seguintes, The Pastures of Heaven(1932) e To a God Unknown (1933), passaria despercebido.
No início da década de 1930, Steinbeck havia travado conhecimento com o biólogo marinho Edward Ricketts e, desse encontro, nasceu não uma grande amizade, como um novo horizonte para o escritor. Ricketts propagava a ideia de que todos os seres vivos agem em interdependência. Steinbeck tomaria então contacto com a obra do mitólogo Joseph Campell, que combinava este pensamento com conceitos do psicólogo Carl Jung e, utilizando os seus arquétipos, fez nascer To a God Unknown (1933). Na obra, de um paganismo ambíguo, o agricultor Joseph Wayne recebe uma benção de seu pai pioneiro, John Wayne, e decide fundar uma nova quinta num vale distante. desenvolve as suas próprias crenças sobre a vida e a morte, Sobretudo quando tem de lidar com uma terrível seca que se abate sobre as suas terras.
Em 1935 publicou a obra que lhe garantiria a atenção do público, Tortilla Flat, um cândido retrato das gentes de raiz mexicana nos Estados Unidos da América, e cuja alegoria à constituição da Távola Redonda do Rei Artur não chegaria a ser apercebida pela crítica. A popularidade do romance permitiu finalmente a John Steinbeck consagrar-se em exclusivo à atividade da escrita.
Seguiu-se-lhe In Dubious Battle (1936), em que Steinbeck recria a revolta de novecentos trabalhadores rurais migratórios. Liderado por Jim Nolan, o movimento é suprimido, e Jim encontra a morte. Uma das personagens, o observador imparcial Doc Burton, é grandemente inspirado no amigo de Steinbeck, Edward Ricketts, que viria também a servir de modelo em algumas das suas obras posteriores mais conhecidas.
Em 1937 seria a vez de Of Mice and Men, o primeiro grande sucesso do autor, e The Red Pony, adaptado para o cinema em 1949. Obteria o reconhecimento do público em 1939, ao ser galardoado com o Pulitzer e com o National Book Award pela obra The Grapes of Wrath. Fruto de uma viagem pelos acampamentos dos trabalhadores migratórios empreendida durante o ano de 1936, o romance foi atacado pelas autoridades de Oklahoma e descrito como "uma mentira, uma criação negra e infernal de uma mente distorcida e perversa". Aquando da atribuição do Prémio Nobel, em 1962, a Academia Real Sueca considerou a obra como sendo apenas uma crónica épica.
A popularidade da obra assumiu proporções tais que, especialmente após a estreia da versão cinematográfica, em 1940, John Steinbeck optou por se exilar no México, onde filmou o documentário da obra Forgotten Village (1941).
Durante a Segunda Guerra Mundial foi correspondente na Grã-Bretanha e Mediterrâneo para o New York Herald Tribune, e dedicou-se à propaganda, da qual The Moon is Down (1942) é um exemplo. Regressou em 1943 a Nova Iorque, casando, nesse mesmo ano, com a cantora Gwyndolyn Conger, de quem teve dois filhos, acabando contudo por se divorciar em 1949. Tendo publicado Cannery Row em 1945, The Wayward Bus e The Pearl em 1947, e A Russian Journal no ano seguinte, o autor encontrou no consumo excessivo de álcool um lenitivo para a frustração da separação e da vida na cidade, longe das montanhas de Monterrey e dos vales férteis da sua Salinas natal.
Em 1950 contraiu matrimónio com Elaine Scott e dois anos depois apareceria East of Eden, obra que reflete a sua visão da história da formação dos Estados Unidos. Durante grande parte do ano de 1959 Steinbeck refugiou-se numa propriedade rural inglesa estudando a Morte d'Arthur de Malory e, de regresso, publicou o seu último grande romance, The Winter of Our Discontent (1961) e decidiu empreender, com quase sessenta anos de idade, uma viagem de autocaravana ao longo do seu país, acompanhado do seu cão Charley. Publicou portanto, em 1962, Travels With Charley in Search of America.
Veio a falecer em Nova Iorque a 20 de dezembro de 1968, vítima de um ataque cardíaco.
John Steinbeck. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 
wikipedia (imagens)
File:John Steinbeck 1962.jpg
John Steinbeck 
File:JohnSteinbeck TheGrapesOfWrath.jpg
As Vinhas da Ira




27 de Fevereiro de 272(*) Nasce o Imperador Constantino, "O Grande"

Constantino I, o Grande, de seu nome completo Flávio Valério Aurélio Constantino, nasceu provavelmente entre 272 e 274 na região de Naisso, Mésia Superior. Foi imperador romano entre os anos de 306 e 337, ano da sua morte. E era filho de Constâncio Cloro e de Helena.
À morte de seu pai em Iorque em 306, Constantino é aclamado pelos seus soldados César e depois Augusto, tendo casado com Fausta, filha de Maximiano, que Constantino vence no confronto de Marselha. Em 312, fica com o domínio do Ocidente ao vencer Maxêncio, filho de Maximiano, na Ponte Mílvia, perto de Roma. Com a morte de Galério em 311, Constantino inicia o governo conjunto do Oriente com Licínio, que suporta até 324, altura em que o derrota na batalha de Crisópolis, mandando-o matar em Tessalonica.
Com a publicação do édito (ou carta) de Milão no ano de 313, estabeleceu a tolerância de culto, iniciada anteriormente por Galieno e Galério, e no concílio de Niceia de 325 condena os donatistas e estabelece condutas de e disciplina, favorecendo deste modo o progredir do cristianismo como religião dominante do império, situação que sai reforçada com a consagração à Virgem Maria em 330 da capital do império de Constantinopla.
A nível do governo geral foi um hábil estratego, conferindo ao poder imperial um cunho pessoal, introduzindo na administração pessoas da sua confiança. Tornou a aristocracia senatorial numa classe territorial, que se hierarquizava mediante os serviços prestados ao Estado. Empreendeu também reformas ao nível militar, separando os encargos do exército dos civis e retirando protagonismo aos contingentes fronteiriços.
* Não existe certeza quanto à data de nascimento
Constantino I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)
File:Constantine Chiaramonti Inv1749.jpg
Estátua de mármore de Constantino do século IV

File:Raphael Baptism Constantine.jpg
O Baptismo de Constantino
File:Sir Peter Paul Rubens - Constantius appoints Constantine as his successor - Google Art Project.jpg
Constâncio nomeia Constantino como seu sucessor - Peter Paul Rubens

domingo, 26 de fevereiro de 2017

26 de Fevereiro de 1932: Nasce o cantor e compositor norte-americano Johnny Cash

Cantor, compositor e ator norte-americano, Johnny Cash nasceu a 26 de fevereiro de 1932, em Kinsland, Arkansas, nos Estados Unidos da América, e faleceu aos 71 anos, no dia 12 de setembro de 2003. 

Formou os "Johnny Cash And The Tennessee Two" em 1955, com Marshall Granton, no baixo, e Luther Perkins, na guitarra. Em 1960 passaram a chamar-se "Johnny Cash And The Tennessee Three" com a entrada de W. S. Holland para a bateria. Em 1969, Bob Wootton substituiu Luther Perkins.
Êxitos como "Cry, Cry, Cry" (1955), o seu primeiro single, "Folsom Prison Blues" (1956), "I Walk The Line" (1956), "Guess Things Happen That Way" (1958), entre outros, depressa o tornaram numa das figuras mais relevantes da músicacountry/pop norte-americana da década de 60. Chegou a ser o artista mais vendido em todo o mundo em finais da década de 60, ultrapassando mesmo os Beatles.
O seu álbum de estreia, Johnny Cash With His Hot & Blue Guitar, foi lançado em 1957. Da extensa lista de álbuns de sucesso que gravou, destacam-se Ride This Train (1960), Ring Of Fire (1963), Johnny Cash Live At Folsom Prison (1968),Rockabilly Blues (1980), Johnny Cash Is Coming To Town (1987) e American Recordings (1994), entre outros. American Recordings contou com canções escritas por artistas tão distintos como Tom Waits, Leonard Cohen ou Kris Kristofferson. O primeiro single "Delia's Gone", acompanhado por um vídeo promocional em que surge a manequim internacional Kate Moss, introduziu o cantor na geração da MTV. Este trabalho proporcionou-lhe um prémio grammypara Melhor Álbum Contemporâneo de Folk.

Em 1996 editou Unchained, que incluiu versões de artistas como os Soundgarden ou Beck e teve como convidados Tom Petty And The Heartbreakers e Mick Fleetwood. Com este trabalho ganhou o prémio grammypara Melhor Álbum Country.
A carreira de Johnny Cash envolveu também colaborações frutuosas com outros nomes e até estilos musicais distintos da música country. Fez dueto com Bob Dylan em "Girl From The North Country" (1969). Em 1986 juntou-se a Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e Roy Orbison para a gravação do álbum Class of 55' (Memphis Rock & Roll Homecoming). Participou no projeto "The Traveling Wilburys", em 1988, ao lado de Bob Dylan, George Harrison e Roy Orbison, entre outros. Em 1993 colaborou no álbum "Zooropa" dos U2 através do tema "The Wanderer".
Como ator participou em filmes como A Gunfight (1970), Pride of Jessee Hallam(1981), e Stagecoach (1986), e em séries televisivas como North and South(1985). Apresentou o "The Johnny Cash Show," entre 1969 e 1971. Produziu, co-escreveu e narrou o filme-documentário sobre a vida de Cristo, "The Gospel Road" (1973). Compôs bandas sonoras para filmes, tais como The True West , Little Fauss and Big Halsy, e Pride of Jesse Hallam, entre outros.
Em 1975, escreveu Man In Black, uma autobiografia, e, em 1986, Man In White, um romance sobre o apóstolo São Paulo. Em 1997 lançou CASH: The Autobiography.Em 1997, é-lhe diagnosticada a doença de Parkinson. Regressa aos álbuns de estúdio três anos mais tarde com American III: Solitary Man, dando continuidade ao seu aperfeiçoamento pelos temas do amor, da devoção e da solidão. O disco conta com a participação de Tom Petty, amigo de longa data de Cash, e de Sheryl Crow. Destaque ainda para as versões de "One" (U2) e "Solitary Man" (Neil Diamond). Seguiram-se algumas reedições de discos antigos e algumas coleções de êxitos. Além desses, merece uma referência a edição de At The Madison Square Garden (2002), registando um concerto de Cash em dezembro de 1969.
Em 2002, deu sequência à mesma forma do seu álbum anterior. O discoAmerican IV: The Man Comes Around conta com uma produção minimalista de Rick Rubin, para as versões improváveis de Nine Inch Nails, Depeche Mode, The Beatles, Simon & Garfunkel e Sting. O disco só foi lançado na Europa no ano seguinte. 
A esposa do cantor faleceu a 15 de maio de 2003 e, quatro meses mais tarde, aos 71 anos, morreu Johhny Cash.
Fontes: Infopédia




26 de Fevereiro de 1885: Termina a Conferência de Berlim, cujo objectivo era a partilha das colónias africanas.

Convocada para 15 de Novembro de 1884, por iniciativa do chanceler prussiano Otto Von Bismarck, a Conferência de Berlim termina os seus trabalhos em 26 de Fevereiro de 1885. Os 14 países europeus presentes e os Estados Unidos põem fim aos conflitos coloniais que assolaram o continente africano. O rei dos belgas, Leopoldo II, obtém o Congo a título pessoal. A Grã Bretanha renuncia às suas pretensões sobre todo o território e assume a sua hegemonia sobre uma faixa que ia do Cabo da Boa Esperança até  ao Cairo e  Alexandria. A França vê-se contemplada com todas as terras ao sul do Saara e a Alemanha, a África do oeste. A Conferência de Berlim decide também sobre a livre navegação de navios cargueiros pelos rios Congo e Níger.

A Conferência de Berlim constituiu-se na ruína da África de muitas maneiras e não só apenas uma. As potências coloniais impuseram os seus domínios sobre o continente africano. À época da independência dos países africanos na década de 1950, os reinos e domínios receberam um legado de fragmentação política que poderia nem ser eliminada nem ser operada satisfatoriamente.
Em 1884, a pedido de Portugal, o chanceler alemão Bismark convocou uma reunião das maiores potências ocidentais para negociar questões controversas e dar fim à confusão sobre o controlo da África. Bismark aproveitou a oportunidade para expandir a esfera de influência da Alemanha, com um desejo mal dissimulado de forçar as potências rivais de lutarem entre si por territórios.

Por ocasião da conferência, 80% da África permaneciam sob controlo tradicional das metrópoles e de tribos locais, resultando, finalmente, do encontro uma miscelânea de fronteiras estabelecidas geometricamente que dividiu o continente em 50 países irregulares. Este novo mapa da África foi imposto sobre mais de mil culturas e regiões autóctones. A nova delimitação de países, porém, dividia grupos coerentes de pessoas e mesclava grupos dispares que na verdade não poderiam coexistir.
Catorze países estavam representados por vários  embaixadores quando a conferência se abriu: Austria-Hungria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grã Bretanha, Itália, Holanda, Portugal, Rússia, Espanha, Suécia-Noruega (unificadas de 1814 a 1905), Turquia e Estados Unidos. Dessas 14 nações, França, Alemanha, Grã Bretanha e Portugal eram as protagonistas, controlando a maior parte da África colonial à época.

A tarefa inicial da reunião era estabelecer um acordo sobre as bacias e a foz dos rios Congo e Níger para que fossem considerados neutros e abertos à navegação comercial. A despeito da sua neutralidade, parte da bacia do Congo tornou-se domínio pessoal do rei Leopoldo II da Bélgica. Sob o seu governo, mais da metade da população local morreu.

À época da conferência apenas as áreas litorais eram colonizadas pelas potências europeias. Em Berlim deram-se "cotoveladas" para ganhar o controlo das regiões do interior. A conferência estendeu-se até 26 de Fevereiro, período de três meses em que os países europeus se degladiaram em torno de fronteiras geométricas, fazendo pouco das fronteiras linguísticas e culturais já estabelecidas pela população africana autóctone.

O toma-lá-dá-cá continuou. Em 1914, os cinco participantes de uma nova conferência dividiram entre si a África. A Grã Bretanha ficou com o Egipto, Sudão Anglo-egípcio, Uganda, Quênia, África do Sul, Zâmbia, Zimbábue (ex-Rodésia), Botsuana, Nigéria e Gana; À França coube muito da África ocidental, da Mauritânia ao Chade, mais Gabão e a hoje República do Congo.

A Bélgica e o rei Leopoldo controlaram a hoje República Democrática do Congo (Congo Belga). Portugal, por sua vez tomou Moçambique a leste e Angola a oeste. A Itália passou a dominar a Somália e uma porção da Etiópia, enquanto a Alemanha ficou com a Namíbia e a Tanzânia. À Espanha coube o menor território, a Guiné Equatorial, modificando toda a geografia da África, que a partir da década de 1950 teve grande maioria dos países livre do jugo colonial.
Fontes:Opera Mundi
wikipedia (imagens)
A Conferência de Berlim em gravura da época
O Congresso de Berlim, em gravura da época
Mapa de África Colonial em 1913.
  Bélgica
  França
  Alemanha
  Grã-Bretanha
  Itália
  Portugal
  Espanha
  Estados independentes