quinta-feira, 23 de março de 2017

23 de Março de 1919: Benito Mussolini funda, em Milão, o Movimento Fascista Italiano de Combate, que dará lugar ao Partido Fascista, em Novembro de 1921.

Em 23 de Março de 1919, na praça do Santo Sepulcro, em Milão, Benito Mussolini cria os primeiros esquadrões fascistas, os ‘Fasci Italiani di Combattimento’. Esses grupos paramilitares iriam formar o embrião do futuro Partido Nacional Fascista.

O termo ‘fascista’ destinado a ter uma difusão planetária, iria designar a partir do final dos anos 1920 e, em especial, da Guerra Civil espanhola, todos os movimentos totalitários de extrema-direita, antidemocráticos, violentos, racistas e ultranacionalistas.

Antes da Primeira Guerra Mundial, quando era militante socialista e revolucionário, o futuro Duce tinha frequentado na Suíça os exilados bolcheviques. Tomou então conhecimento da teoria de Lenine, segundo a qual a ascensão ao poder deveria  apoiar-se sobre uma organização bem estruturada, constituída na sua direcção por revolucionários profissionais.

Construiu o seu movimento levando em conta o exemplo do líder russo, introduzindo, porém, a característica paramilitar dos seus grupos de apoio. Valendo-se dos seus talentos como orador, traz para seu seio os ‘arditi’ - Reparti d'assalto (Unidades de assalto) da I Guerra, tropas de elite do Exército. Em italiano, a expressão ‘ardito’ significa algo como bravo, corajoso, audacioso. Organizadas no Verão de 1917 pelo coronel Bassi, a essas forças especiais era designado o papel táctico de romper as defesas inimigas e atacá-las em profundidade, de modo a preparar um avanço maciço das tropas de infantaria – que tinham dificuldade de se converter à vida civil. A esses jovens  juntaram-se sindicalistas e trabalhadores vítimas das crises económicas e proletariado em geral.

A todos, Mussolini propunha um programa político vagamente socialista e fortemente nacionalista. Passa a reivindicar os territórios prometidos pelo Tratado de Londres, declara guerra aos bolcheviques e aos socialistas, denuncia o capitalismo, exige a abolição do Senado e a eleição de uma assembleia constituinte, prega a abolição do serviço militar obrigatório e pronuncia-se a favor de uma república laica. Esse programa iria evoluir muito ao sabor das circunstâncias.

No final de 1919, o movimento fascista era ainda bastante marginal. Contava com apenas 17 mil membros e não conseguiu eleger sequer um representante nas eleições legislativas de Novembro. O próprio Mussolini obtivera em Milão apenas 4.800 votos contra 170 mil do candidato socialista.

Na esfera de influência nacionalista, Mussolini  via-se eclipsado pelo prestígio do poeta Gabriele d'Annunzio. A sua decepcção era tal que pensou emigrar para os Estados Unidos.

Tudo mudou no ano seguinte. O ex-líder socialista continuou a utilizar uma terminologia revolucionária, anticapitalista e anti burguesa. Todavia, durante o Verão de 1920, enquanto se multiplicavam as manifestações populares e as greves nas grandes cidades industriais do norte e nos campos do sul, toma o partido da contra-revolução. Cria uma milícia, os ‘squadre’ (esquadrões) cujos membros, os ‘squadristi’, eram reconhecidos por trajarem uma ‘Camisa Negra’ . Daí o seu epíteto.

Em total ilegalidade, esses milicianos armados, motorizados e formados por ex-oficiais percorrem cidades e campos, intimidando de todas as maneiras possíveis os militantes comunistas e socialistas, os sindicalistas e os grevistas.

A polícia, os magistrados e o próprio governo fecham os olhos.Os patrões, por sua vez,  não hesitaram em financiar generosamente o Partido Fascista. Chegando a mais de 700 mil membros em 1922, o Partido Nacional Fascista ainda assim não conseguia seduzir o eleitorado.

Foi apenas com recurso à força e às ameaças que Benito Mussolini finalmente chegaria ao poder no mês de Outubro naquele ano.
Fontes: Opera Mundi
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Mussolini  e os "Camisas Negras" em 24 de Outubro de 1922
 

23 de Março de 1842: Morre, em Paris, o escritor Henri Beyle, Stendhal, autor de "Vermelho e o Negro", "A Cartuxa de Parma", precursor do realismo e inspirador do "nouveau roman" do século XX.

Henri Beyle, mais conhecido pelo seu pseudónimo Stendhal, escritor francês do século XIX, morre em Paris no dia 23 de Março de 1842. Consagrado pela sua aguda análise da psicologia dos seus personagens e a concisão do seu estilo, é considerado como um dos primeiros e mais importantes literatos do realismo.
Beyle utilizou diferentes pseudónimos, sendo Stendhal o mais conhecido. A hipótese mais verossímil sobre a sua origem é que o "tomou emprestado" da cidade alemã de Stendal, lugar de nascimento de Johann Winckelmann, fundador da arqueologia moderna, a quem admirava.
Nascido em Grenoble, em 23 de Janeiro de 1783, numa família burguesa, o seu pai Cherubin Beyle era advogado. Ficou órfão de mãe aos 7 anos. O pai foi preso em 1794 durante o Terror, pela sua defesa da monarquia. Estudou a partir de 1796 na Escola Central de Grenoble, conseguindo elevadas qualificações em matemática.


Em 1799 foi para Paris com ideia de estudar na Escola Politécnica, porém ficou doente e não pôde ingressar. Obteve trabalho no Ministério da Defesa e, no ano seguinte, viajou para a Itália como sub-tenente. acompanhando a retaguarda do exército de Napoleão. Ali conheceu a música de Domenico Cimarosa e Gioacchino Rossini, de quem viria a escrever uma célebre biografia.

Em 1802 deixa o exército, passando a trabalhar como funcionário da administração imperial na Alemanha, Áustria e Rússia. Nesse mesmo ano torna-se amante da Madame Rebuffel, primeira das muitas amantes que teve.


Foi viver para Milão em 1815 e, dois anos depois, publicou "Roma, Nápoles e Florença", uma declaração do seu amor pela Itália. Nessa obra descreve uma espécie de êxtase ao contemplar a basílica de Santa Croce de Florença e o seu entorno de arte e beleza.

Depois de viajar nos anos 1820 pela Europa, de regresso à Itália é acusado de espionagem e expulso, retornando a Paris. Começa a trabalhar num periódico onde pôde exercer o seu estilo romântico, caracterizado pelo reconhecimento da história como parte essencial da literatura.

De 1832 a 1836 foi designado vice-cônsul da França em Civitavecchia, porto dos Estados Pontifícios, perto de Roma. Em 1836 obtém permissão para residir em Paris. Em 1841 sofre um primeiro ataque de apoplexia.



Em 22 de Março de 1842, Stendhal sofre um novo ataque em plena rua. Levado a casa, morre na madrugada de 23 sem ter recuperado a consciência. É enterrado no dia seguinte no cemitério de Montmartre.


Na sua lápide funerária fez escrever o seguinte epitáfio: “Arrigo Beyle, milanese. Scrisse, amò, visse Ann. LIX  M. II.  Mori il XXIII marzo MDCCCXLII”  (Henri Beyle, milanês. Escreveu, amou, viveu 59 anos, 2 meses. Morreu em 23 de Março de 1842).




O seu êxito extraordinário deve-se fundamentalmente aos quatro famosos romances: "Armancia" (1826), "O Vermelho e o Negro" (1830), "A Cartuxa de Parma" (1839) e "Lucien Leuwen" (incompleta e póstuma, 1894).

As principais marcas da sua produção literária foram a elevada sensibilidade romântica e um poderoso sentido crítico que deram vida à filosofia de ‘ busca da felicidade’.
A análise das paixões, dos comportamentos sociais, o amor pela arte e pela música, além da busca pelo prazer,  expressavam-se através de um modo de escrever personalíssimo em que o realismo da observação objectiva e o carácter individual da sua expressão se fundiam de modo harmónico.

Por todas estas razões, Stendhal teve de sofrer o desprezo, se não o desconhecimento, dos seus contemporâneos, com excepção de Balzac, alcançando, posteriormente, um enorme prestígio. Mesclando com mestria a ambientação histórica e a análise psicológica, os seus romances descrevem o clima moral e intelectual da França.

Stendhal é considerado o criador do romance moderno, que deu passo à grande narrativa do século XIX. Diz-se que é o escritor do século XIX que menos envelheceu. Sem se deixar contaminar por modas, mostra ainda hoje ao leitor uma linguagem bastante moderna.
Fontes: Opera Mundi
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Stendhal, por Olof Johan Södermark



 

quarta-feira, 22 de março de 2017

22 de Março de 1911: É fundada a Universidade do Porto

A Universidade do Porto é constituída formalmente em 22 de Março de 1911, logo após a implantação da República em Portugal. As suas raízes, contudo, remontam a 1762, com a criação da Aula de Náutica por D. José I. Esta escola e as suas sucessoras (Aula de Debuxo e Desenho, criada em 1779; Academia Real da Marinha e Comércio, em 1803; Academia Politécnica, em 1837) serão responsáveis pela formação dos quadros portuenses ao longo do séc. XVIII e XIX, dando resposta às necessidades de pessoal qualificado na área naval, no comércio, na indústria e nas artes.
Em 1825 é fundada a primeiro escola médica do Porto, a Real Escola de Cirurgia, que, transformada em 1836 em Escola Médico-Cirúrgica, será o outro vetor de formação da U.Porto.
Paralelamente, a Aula de Debuxo e Desenho dará origem a outras escolas – Academia Portuense de Belas Artes (1836), depois Escola Portuense de Belas Artes (1881), finalmente Escola Superior de Belas Artes do Porto (1950). Esta última transformar-se-á, ao longo do último quartel do séc. XX, nas atuais faculdades de Arquitectura e de Belas Artes da U.Porto.
Se, numa fase inicial, a U.Porto surge estruturada em duas faculdades (Ciências e Medicina), assistiremos ao longo de todo o séc. XX a uma diversificação de saberes e autonomização de escolas. Ainda durante a 1.ª República, surgirá em 1915 a Faculdade Técnica (rebatizada em 1926 de Faculdade de Engenharia), em 1919 a Faculdade de Letras, em 1921 a Faculdade de Farmácia.
O crescimento da U.Porto durante o regime autoritário nascido do movimento militar de 28 de Maio de 1926 será mitigado: a Faculdade de Letras é extinta em 1928, para ser restaurada em 1961; só a Faculdade de Economia será verdadeiramente criada de raiz neste período, em 1953.
Após a revolução de Abril de 1974, e até ao fim do século, a Universidade do Porto entrará finalmente em expansão. Às seis faculdades existentes juntaram-se mais oito: Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (1975), Faculdade de Desporto (1975), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (1977), Faculdade de Arquitectura (1979), Faculdade de Medicina Dentária (1989), Faculdade de Ciências da Nutrição e da Alimentação (1992), Faculdade de Belas Artes (1992) e Faculdade de Direito (1994). Hoje, a Universidade do Porto conta com catorze faculdades e uma escola de pós-graduação, a Escola de Gestão do Porto, criada em 1988 e cuja designação passou a ser Escola de Negócios da Universidade do Porto a partir de 2008.


Fontes: UP
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 Edifício da Academia Politécnica, onde funcionou a Faculdade de Ciências e agora está instalada a Reitoria da Universidade do Porto e vários museus
 

22 de Março de 1933: Entra em funcionamento o campo de concentração de Dachau

O campo de concentração de Dachau foi o primeiro criado pelo governo nazi. Heinrich Himmler, chefe da polícia de Munique, descreveu-o oficialmente como “o primeiro campo de concentração para prisioneiros políticos”. Foi construído nas dependências de uma fábrica de munições abandonada, a cerca de 15 quilómetros a noroeste de Munique, no sul da Alemanha.

Dachau serviu como protótipo e modelo para os outros campos. Tinha uma organização básica, com prédios desenhados pelo comandante Theodor Eicke. Dispunha de um campo distinto, perto do centro de comando, com salas de estar, administração e instalações para os soldados. Eicke tornou-se ainda o inspector-chefe para todos os campos de concentração.

Cerca de 200 mil prisioneiros de mais de 30 países foram "hospedados" em Dachau, dos quais aproximadamente um terço era judeu. Acredita-se que mais de 35.600 prisioneiros foram mortos no campo, principalmente por doenças, má nutrição e suicídio. No começo de 1945, houve uma epidemia de tifo no local, seguida de uma evacuação em massa, dizimando boa parte dos prisioneiros.

A par de Auschwitz-Birkenau, Dachau tornou-se um símbolo de campo de concentração nazi. KZ Dachau tem um significado bastante forte na memória pública porque foi o segundo campo a ser libertado pelas forças aliadas anglo-americanas. O primeiro havia sido Auschwitz, libertado pelo Exército Vermelho. Ambos expuseram aos olhos do mundo a realidade da brutalidade nazi.

Dachau foi dividido em duas secções: a área do campo e o crematório. A área do campo consistia em 32 barracas, incluindo uma para o clero aprisionado e os opositores do regime nazi e outra reservada para as experiências médicas. O pátio entre a prisão e a cozinha central foi usado para a execução sumária de prisioneiros. Uma cerca eléctrica de arame farpado, uma vala e um muro com torres de observação rodeavam o campo.

No início de 1937, as SS, usando a mão-de-obra dos prisioneiros, iniciaram a construção de uma grande rede de prédios nos fundos do campo original. Os prisioneiros eram forçados, sob terríveis condições, ao trabalho, começando com a destruição das velhas fábricas de munição. A construção  deu-se por concluída em meados de Agosto de 1938.

Dachau foi o campo mais activo durante o Terceiro Reich. A área incluía ainda outras fábricas da SS, uma escola de economia e serviço civil e a escola médica dos SS. O campo, chamado de "campo de custódia", ocupava menos da metade de toda a área.
Dachau também serviu como campo central para prisioneiros católicos. De acordo com a Igreja Católica Romana, pelo menos 3.000 religiosos, diáconos, padres e bispos foram lá confinados. Em Agosto de 1944, abriu-se um campo feminino dentro de Dachau. A primeira "carga" de mulheres veio de Auschwitz-Birkenau.

Nos últimos meses da guerra, as condições de Dachau pioraram. Quando as forças aliadas avançaram sobre a Alemanha, os nazis começaram a remover os prisioneiros dos campos perto da frente de batalha. Depois de vários dias de viagem, com pouca ou nenhuma comida e água, os prisioneiros chegavam extenuados. Muitos morriam pelo caminho. A epidemia de tifo tornou-se um sério problema devido ao excesso de prisioneiros, condições sanitárias precárias, provisões insuficientes e o estado de fraqueza dos prisioneiros. Até ao dia da libertação, 15 mil pessoas morreram e 500 prisioneiros russos foram executados.

Em 27 de Abril de 1945, Victor Maurer, delegado do Comité Internacional da Cruz Vermelha, foi autorizado a entrar nos campos e distribuir comida. Na noite do mesmo dia, um transporte de prisioneiros chegou de Buchenwald. Somente 800 sobreviventes foram resgatados, dos aproximadamente 4.500. Mais de 2.300 cadáveres foram deixados dentro do comboio. O último comandante do campo, Obersturmbannführer (Tenente-Coronel) Eduard Weiter, fugiu em 26 de Abril.

Em 28 de Abril de 1945, o dia anterior à rendição, Martin Weiss, que comandara o campo de Setembro de 1942 até Novembro de 1943, deixou Dachau juntamente com a maioria dos guardas e administradores do campo.

Maurer tentou persuadir o  tenente Johannes Otto, ajudante do comandante Weiss, a não abandonar o campo, mantendo guardas para controlar os prisioneiros até que os norte-americanos chegassem. Ele temia que os prisioneiros pudessem fugir em massa e espalhar a epidemia de tifo.

Um dia depois, foi hasteada uma bandeira branca na torre do campo.





Fontes: Opera Mundi
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O Campo em 1945
File:Survivors liberation dachau.jpg



Os sobreviventes do campo, Abril de 1945

22 de Março de 1832: Morre, em Weimar, o poeta e dramaturgo alemão Johann Wolfgang Goethe, essência do Romantismo, autor de "A Paixão do Jovem Werther".

Johann Wolfgang von Goethe nasceu de uma família nobre em Frankfurt-am-Main, no dia 28 de agosto de 1749, e morreu em Weimar, em 22 de março de1832. Tendo recebido uma educação multifacetada nos primeiros anos da sua vida, estudou Direito em Leipzig a partir de 1765.
São dessa época as suas primeiras obras poéticas (canções e odes) e também o auto pastoril Caprichos do Apaixonado, que reflete o seu amor por Käthchen Schönkopf, filha de um estalajadeiro.
Doença grave obriga-o a regressar a Frankfurt em 1768, mas pouco depois retoma em Estrasburgo os seus estudos universitários, que completa em 1771.Influenciado pelo escritor e filósofo alemão Johann G. Herder (1744-1803), Goethe volta-se para o irracionalismo do movimento literário e artístico designado por Sturm und Drang, evidenciando especial interesse pela poesia popular, pelos poetas da Antiguidade (Homero, Píndaro, Ossian) e pela obra poética do dramaturgo inglês William Shakespeare (1554-1616), assim como pelo estudo da arte gótica.São dessa época os ensaios Shakespeare (1771) e Da Arte Alemã (1773).
Os seus amores pela filha do pároco de Sessenhein (Alsácia) foram a origem das poesias líricas Canção de Maio, Boas-Vindas e Despedida.
Também a ligação amorosa de Goethe com Charlotte Buff, noiva do secretário da embaixada, inspira poesias líricas, como Prometeu, Ganimedes e Cântico de Maomet; são também dessa época os poemas dramáticos Goetz von Berlichingen, Deuses, Heróis e Wieland, o poema épico O Judeu Errante, o poema dramático Clavigo (1774) e o romance epistolar e sentimental Os Sofrimentos do Jovem Werther, que é um espelho dos amores de Goethe com Charlotte Buff e que, em breve, alcança renome internacional.
A viagem à Suíça com os condes de Stolberg ocasiona o seu encontro com Carlos Augusto, o duque de Weimar, que convida Goethe para a sua corte, onde, a partir de 1776, passa a desempenhar as funções de conselheiro, e mais tarde, as de ministro de Estado.
Das relações de amizade que então trava com Charlotte von Stein, sete anos mais velha do que ele, e da influência poderosa que dela recebe no sentido do seu amadurecimento espiritual são prova as suas próximas obras, que incluem dramas para o teatro de amadores e os poemas líricos Ilmenau, Viagem de Inverno ao Harz, Cântico dos Espíritos sobre as Águas, A minha Deusa, O Cantor, À Lua, a versão em prosa de Ifigénia (1779) e o começo do romance Wilhelm Meister.
Nos anos de 1779 e 1780 acompanha o duque Carlos Augusto na segunda viagem à Suíça, de que nasceram as Cartas da Suíça.
No outono de 1786 inicia a sua viagem à Itália, com estadia longa em Roma e uma deslocação à Sicília. Durante dois anos trava contacto aturado com a arte antiga e a arte italiana, o que provoca a sua atenção especial e o seu interesse definitivo pelo Classicismo, onde ressaltavam as ideias da humanidade e o esforço pela harmonia. O período fecundo que sucedeu à sua viagem à Itália foi marcado pelo aparecimento das seguintes obras: versão em verso da tragédia Ifigénia (1787); Egmont (1788), uma das suas melhores obras dramáticas; o drama psicológico Tasso, que tanto tem de autobiográfico, e o Fausto - Um Fragmento (1890).
Goethe estabelece-se então em Weimar, dispensado do exercício de funções públicas, com exceção da direção de instituições artísticas e científicas.
Goethe mantém uma ligação amorosa com Cristiane Vulpius ao longo de vários anos, durante os quais publica, com reflexos dessa ligação, Idílios Romanos (1795) e Epigramas Venezianos.
Em 1794 anuncia em público, em Jena, a sua amizade com Fiedrich Schiller (1759-1805) e a colaboração estreita entre os dois poetas, de modo especial quanto à criação de um teatro nacional e a assuntos de grande interesse para a literatura. Publica, em 1796, o romance didático Anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, a que se seguem a epopeia idílica, em verso, Hermann e Dorothea (1797) e a tragédia Filha Natural (1803). Entretanto, permanentemente estimulado por Schiller, seguimento aos trabalhos relativos à continuação do Fausto. Em 1806 casa com Cristiane Vulpius e, em 1809, publica Afinidades Eletivas, em que descreve, na personagem Ofélia, a sua bem-amada Minna Herzlieb, à qual se refere também nos Sonetos publicados, mais tarde, em 1815.
Começa então a preocupação de Goethe pela sua própria evolução biográfica e espiritual, e publica A Minha Vida, Ficção e Verdade e Viagem à Itália em 1814.
Como resultado da sua viagem ao Reno e ao Meno, aparece em 1814-15 a coletânea lírica O Divã Ocidental e Oriental.
Em 1821 publica a primeira parte de Anos de Peregrinação de Wilhelm Meister, que, com os elementos líricos, novelísticos e aforísticos que enriquecem esta obra, representa o trabalho que o homem, nas suas próprias limitações, realiza para a comunidade, e constitui o tema principal da segunda parte da grande obra da idade avançada do poeta, o Segundo Fausto, que viria a ser publicado em 1832, ano da sua morte.
A última inclinação amorosa de Goethe, no 74.° ano da sua vida, pela jovem de 19 anos Ulrike von Levetzow não foi correspondida, circunstância a que se alude na Trilogia da Paixão, publicada em 1827.
Goethe passa os últimos anos da sua vida a reexaminar e ordenar as suas obras.
Escritor de admirável elegância de estilo e de grande poder imaginativo, além de ser um pensador profundo, Goethe abraçou um vasto conjunto de conhecimentos e de interesses humanos.
Para a Alemanha, que nos séculos XVI e XVII não tinha ainda beneficiado do movimento da Renascença, Goethe constituiu, sozinho, uma Renascença completa. Para o resto do mundo foi um dos génios mais ricos e poderosos da Humanidade.
Morreu em Weimar, com 83 anos, aureolado pela admiração universal.
J. W. Goethe. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
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Johann Wolfgang Goethe ca. 1775
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Goethe, retrato de Johann Heinrich Wilhelm Tischbein

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Goethe, Schiller, Alexander e Wilhelm von Humboldt c. 1797

22 de Março de 1312: Extinção da Ordem dos Templários

Em meados do século XII, oito cavaleiros franceses, agrupados em torno de um nobre da Champagne, Hugo de Payns, tomaram a decisão de assegurar  protecção dos peregrinos que se dirigiam a Jerusalém. O rei cristão desta cidade, Balduíno II (1118-1131) doou então a estes cavaleiros uma casa localizada no que fora antigamente o Templo de Salomão - daí a explicação para o nome da ordem então criada, Cavaleiros do Templo ou Pobres Cavaleiros de Cristo e do templo de Salomão. S. Bernardo, monge cisterciense e figura de proa da Cristandade ocidental do século XII, ajudou estes cavaleiros a elaborar a sua própria regra, inspirada assim nos costumes cistercienses, apoiando a sua aprovação no concílio de Troyes de 1128. São Bernardo tornou-se um acérrimo defensor desta "nova milícia", como lhe chamou em um dos seus fervorosos e flamejantes tratados espirituais, De laude novæ militiæ (Em louvor da nova milícia), escrito por volta de 1130. Simultaneamente monges e soldados, estes cavaleiros do Templo conciliavam na sua forma de vida os ideais da cavalaria medieval e os mais exigentes preceitos de vida monástica, ou não tivessem eles sido inspirados por S. Bernardo, príncipe dos monges da Idade Média reputado pelo seu fervor e radicalidade de vida religiosa.  objectivo destes cavaleiros era  protecção, assistência e socorro dos peregrinos que se dirigiam à Terra Santa. A par de outras ordens religiosas militares, os templários participavam também na defesa dos Estados Latinos da Terra Santa  respectivos Lugares Sagrados. No entanto, com o decorrer dos tempos, esta função hospitalária e assistencial, apoiada na  acção militar, tendeu cada vez mais para  actividades de carácter financeiro, relacionadas com as necessidades dos peregrinos e dos cruzados. Foi esta ligação  actividades bancárias que fez com que se dissipasse a aura mística e fervorosa do início e com que os poderes e a sociedade começassem a ver os Templários como grandes detentores de capitais e de um colossal património imobiliário, pouco condizente com a sua Regra e escopo original.
Muito hierarquizados, os Templários compreendiam nas suas fileiras cavaleiros e capelães nobres, bem como irmãos laicos e "sargentos". Esta divisão radicava também no modelo cisterciense, que separava os monges de origem nobre (sacerdotes) dos de origem plebeia (irmãos conversos). À cabeça da ordem, figurava o grão-mestre, eleito pelos cavaleiros, grupo a que pertencia, aliás. Era, todavia, obrigado a consultar o capítulo geral da ordem para as decisões mais importantes. Os Templários não deixaram de ter uma aura de prestígio e reputação de grande coragem, o que fez com formassem um autêntico Estado soberano, tais eram as mercês e privilégios com que foram, principalmente no seu primeiro século de existência, cumulados pelo papado. Este estado de graça fez com que prosperassem imensamente e atingissem um  efectivo de cerca de 15 000 religiosos em fins do século XIII. Por outro lado, ainda durante esta sua fase de crescimento e popularidade, os Templários, graças à sua  actividade assistencial e gestão rigorosa do seu património, puderam organizar o primeiro banco internacional, usando os seus lucros para acções de generosidade e auxílio, como o resgate de cativos reduzidos à escravidão entre os muçulmanos, por exemplo, outra das suas aplicações foi a construção de fortificações em rotas de peregrinos ou pontos de defesa na Terra Santa, como o célebre Krak dos Cavaleiros, na  actual Síria, monumento da  arquitectura militar por excelência e modelo de  protecção e defesa de caminhos e de peregrinos. Em 1291, com a queda de Jerusalém e a retirada das ordens militares da Terra Santa, perde-se a sua razão de existir. Ignorando as pressões e conselhos de soberanos europeus e dos próprios Papas, o então grão-mestre dos Templários, Jacques de Molay, recusou toda e qualquer fusão da sua ordem com os Hospitalários, outra ordem religiosa militar de cariz assistencial e com forte implantação no Levante mediterrânico. Em meados do século XIV, perante este impasse, o rei de França Filipe, o Belo, suprime a ordem em França e congela o seu gigantesco património. A 13 de maio de 1307 Jacques de Molay é mesmo preso. Em 1312, sob pressão de Filipe, o Belo, o papa Clemente V, na segunda sessão do concílio de Vienne (1311-1312), pronuncia a dissolução da Ordem do Templo a 22 de Março, confirmada em bula de 3 de  Abril desse ano. Os bens dos Templários são também transferidos para os Hospitalários. Num ambiente de perseguição e acusações, os Templários são perseguidos por toda a Cristandade, principalmente em França, assistindo-se a atos brutais de crueldade. Recorde-se, por exemplo, que a 19 de  Março de 1314, Jacques de Molay e Geoffrey de Charnay, figuras cimeiras dos Templários, irredutíveis na defesa intransigente da ordem, foram queimados vivos depois de terem recusado comprovar as acusações - um tanto absurdas e infundadas - levantadas contra eles.
O processo de extinção dos Templários constitui um dos "casos por resolver" da História e envolto em brumas e enigmas que, muitas vezes conduzem à ideia, por provar, de que os Templários terão sido ou alvo de cobiça devido ao seu espantoso património, ou "bodes expiatórios" de uma certa decadência da Cristandade e da luta entre o seu poder e o dos Estados em fase de afirmação política.  Actualmente alguns grupos de cidadãos reclamam a herança espiritual e mística dos Templários, tentando um ressurgimento da Ordem.
Em Portugal, a primeira notícia referente aos Templários é uma doação feita por D. Teresa em 19 de  Março de 1128. Trata-se do castelo e terras de Soure. Esta doação é a primeira de muitas com os reis portugueses brindaram os Templários, muito importantes no apoio à Reconquista Cristã e formação do reino de Portugal. Estabeleceram-se em Tomar em 1160, iniciando a construção de um castelo  respectivas dependências conventuais. Os Templários eram detentores de um vasto senhorio com inúmeros benefícios e terras na região entre Tomar e o Tejo, em cujo rio construíram o Castelo de Almourol, outro dos seus emblemas no nosso País. Até à sua extinção em Portugal, em 1312, em pleno reinado de D. Dinis. No entanto, ao contrário de além-Pirenéus, os bens dos Templários na Península Ibérica - graças às pressões dos monarcas peninsulares - não estavam abrangidos pela imposição papal de serem transferidos para os Hospitalários. D. Dinis conseguiu, depois de sete anos de negociações com a Santa que esta autorizasse a fundação de uma milícia portuguesa a partir dos bens dos extintos Templários. Foi esta milícia denominada Ordem de Cristo, tendo sido confirmada pela bula Ad ea ex quibus, de 14 de  Março de 1319, emitida em Avinhão por João XXII. Muitos dos Templários portugueses, segundo a tradição, terão passado para a Ordem de Cristo, que a partir de 1356 teve como sede a antiga fortificação-convento templária de Tomar. A mais conhecida das figuras da ordem de Cristo em Portugal foi o Infante D. Henrique.
Ordem dos Templários. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. 
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Balduíno II doa o Templo de Salomão a Hugues de Payns e Gaudefroy Saint-Home

Arquivo: BaldwinII ceeding do Templo de Salomão para Hugues de Payns e de Gaudefroy Saint-Homer.JPG

Arquivo:. Bernhard von Claraval (Initiale-B) jpg

São Bernardo de Claraval
Arquivo: Molay.jpg
Jacques de Molay - o último Grão Mestre da OrdemFicheiro:Jerusalem Al-Aqsa Mosque BW 2010-09-21 06-38-12.JPG
A primeira sede dos Cavaleiros Templários, a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, o Monte do Templo. Os Cruzados chamaram-lhe de o Templo de Salomão, como ele foi construído em cima das ruínas do Templo original, e foi a partir desse local que os cavaleiros tomaram o  nome de Templários
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Igreja dos Templários de Tomar. A sua planta circular evoca a Igreja dos Templários em Jerusalém

terça-feira, 21 de março de 2017

21 de Março de 1098: Fundação da Abadia de Cister

Numa Europa culturalmente marcada pela poderosa estrutura religiosa da ordem de Cluny (originária de França mas densamente implantada em quase todos os territórios do continente), surge, nos finais do século XI, uma tentativa de renovação espiritual que contaria com importantes incentivos económicos e políticos em vários países. Este movimento reformador foi protagonizado não só pela ordem Cisterciense mas também pelos Premonstratenses e pelos Cartuxos.
A Ordem de Cister foi fundada em 1098 por monges rebeldes saídos do mosteiro cluniacense de Molesmes. O seu nome deriva do local da sua primeira implantação, na erma floresta de Citeâux, em França, fundada por Roberto de Molesmes. Este monge procurava recuperar uma vida de interioridade e austeridade que equilibrasse os esquecidos valores propostos por S. Bento de equilíbrio da oração litúrgica com o trabalho manual, contestando a pompa da vida monástica de Cluny. A partir do cenóbio de Citeâux foram fundadas quatro abadias (La Ferté, Pontigny, Claraval, Morimond) que se tornariam os principais centros de irradiação do movimento cisterciense, através de processos de filiação relativamente complexos. Uma destas quatro abadias, a de Claraval, foi governada por S. Bernardo que, com as suas reflexões espirituais e o seu trabalho de divulgação se tornou o paladino do espírito de cister.
A expansão cisterciense, estabelecida a partir de várias Abadias-mãe, foi notavelmente rápida. Cister foi capaz de irradiar até à periferia da cristandade medieval muito rapidamente e, em 1153, ano da morte de S. Bernardo, contava já com 343 abadias.
Para fundação dos seus mosteiros, Cister iria procurar lugares não habitados, com escassa demografia religiosa e populacional, procurando, através desse isolamento, potenciar a atividade de oração e contemplação.
Contrariando a opulência do românico cluniacense, S. Bernardo procurou soluções arquitetónicas de carácter simples e austero que anunciavam a passagem para o sistema gramatical e estrutural próprio do gótico. O espaço cisterciense resultava programaticamente da aliança de um sistema de produção a uma dimensão espiritual, o Ora e Labora da tradição beneditina. Foi este rígido sistema disciplinar e vivencial que determinou a estrutura formal dos mosteiros, sendo responsável igualmente por uma relativa invariância das soluções arquitetónicas. Deve, no entanto, reconhecer-se que esta semelhança formal derivava mais, como foi dito, da uniformidade e rigidez dos fundamentos espirituais e da austeridade do seu modus vivendi que da celebrada repetição de um inexistente modelo prototípico.
O mosteiro cisterciense era um espaço fechado, formado por uma igreja e pelos espaços monacais, rodeado por uma cerca murada onde se localizavam edifícios ligados a funções agrícolas como moinhos, oficinas e celeiros.
A organização dos espaços, em torno de um claustro quadrado, encontrava-se organicamente adaptada ao ritmo de vida quotidiana definida pela regra. Num dos topos do claustro ficava a igreja, com planta de cruz latina, geralmente com três naves (exceto as igrejas dos mosteiros femininos que têm mais frequentemente uma nave única), transepto e cabeceira formada por capelas escalonadas ou por deambulatório. O templo estava sempre orientado segundo um eixo nascente-poente.
Os dois grupos da comunidade, os monges e os conversos, ocupavam duas alas opostas do claustro (lado nascente e poente respetivamente). A ala dos monges, com dois pisos, ficava na continuação do braço do transepto do templo. No piso térreo sucediam-se a sacristia, a sala capitular e a escada para o dormitório superior e a sala de trabalho. No lado do claustro oposto à igreja localizava-se o calefatório, a cozinha e o refeitório.
A abadia cisterciense era o centro de um vasto território agrário, formado por granjas e coutos e estruturado por vias de comunicação. Algumas das maiores abadias constituíram, a partir do século XIII vários coutos independentes com póvoas para residência da população civil. Testemunham-no os coutos da Abadia de Alcobaça, em Portugal.
Conhecendo o apogeu no XII, a expansão cisterciense abrandou partir do século XIII. A difícil situação das comunidades rurais foi abordada no Concílio de Trento, tendo daí saído a vontade de reorganização da Ordem de Cister em congregações. Em termos construtivos, os mosteiros receberam muitas transformações durante os vários séculos de vivência das comunidades. Nos inícios do século XIX, as ordens ibéricas sofreram o duro golpe da desamortização dos seus bens.
Fontes: Infopédia
wikipedia (imagens)
 
A Abadia de Cister
 

 
A Abadia no século XVI