domingo, 11 de dezembro de 2016

108.º aniversário do nascimento de Manoel de Oliveira

Cineasta português, nasceu no Porto a 11 de dezembro de 1908, embora a data oficial do seu nascimento seja 12 de dezembro, dia em que foi registado. Estreou-se no cinema como figurante no filme Fátima Milagrosa (1929) e como realizador no documentário Douro, Faina Fluvial (1931). Como ator participou no filme A Canção de Lisboa (1933). A sua primeira longa-metragem, Aniki-Bobó, realizada em 1942, garantiu-lhe um lugar cimeiro no cinema nacional. Trata-se de uma história passada com crianças, de um naturalismo poético muito bem conseguido. Manoel de Oliveira é um precursor do neorrealismo no cinema português. Com O Pintor e a Cidade (1956) obteve a Harpa de Ouro do Festival de Cork, na Irlanda. A obra cinematográfica de Manoel de Oliveira constrói-se à volta do teatro e da representação. Oliveira encara o mundo como um teatro onde as personagens são meras figuras manipuladas por Deus (Ato da primaveraBenilde ou a Virgem MãeO Meu Caso), por paixões (Vale Abraão), por desejos (O Passado e o Presente) e regras de ordem moral ou social (Amor de Perdição, Francisca). Os filmes Amor de Perdição (1978), Francisca (1981) eLe Soulier de Satin (O Sapato de Cetim, 1985) receberam o prémio da crítica do Festival de Veneza, onde Oliveira foi também distinguido com o Leão de Ouro pelo conjunto da sua obra. O filme A Caixa representa um momento culminante da sua visão burlesca do mundo. Party (1996) é outra obra que merece referência. Os mais recentes filmes de Manoel de Oliveira começam com uma espécie de guia que nos conduz para o interior da ação (Os Canibais, O Dia do Desespero, Vale Abraão e A Caixa). A obra de Oliveira representa o grande teatro do mundo e da vida, obsceno, grotesco, violento e criminoso, no meio do qual se manifesta a ternura e a compaixão e onde a única forma de evasão é o sonho. Em 1997, com o filme Viagem ao Princípio do Mundo, Manoel de Oliveira foi distinguido com o Prémio Fipresci, da Academia do Cinema Europeu. Em Cannes, a estreia de Inquietude (1998) confirmou uma vez mais o lugar de destaque do realizador português no panorama cinematográfico mundial. Em 1999 foi atribuído ao seu filme, A Carta, o Prémio Especial do Júri do Festival de Cannes. Em agosto de 2000 estreou o seu filme, Palavra e Utopia, no Festival de Veneza, com Lima Duarte no papel do velho Padre António Vieira. No mesmo ano, nas universidades de Harvard, Yale e Massachusetts, nos Estados Unidos da América, foram organizadas homenagens ao cineasta português. Manoel de Oliveira recebeu mais um prémio em 2002, o Prémio Mundial das Artes Valldigna, atribuído pelo Governo Regional de Valência, em Espanha. Mantendo-se como o realizador mais idoso ainda em atividade, não deixou de surpreender em Je Rentre à la Maison (Vou Para Casa, 2001), onde proporcionou um grande papel a Michel Piccoli. Seguiram-se O Princípio da Incerteza (2002) e Um Filme Falado(2003), onde reuniu um elenco de luxo composto por Leonor Silveira, John Malkovich e Catherine Deneuve.
Em 2004 realiza O Quinto Império - Ontem Como Hoje e em 2005 Espelho Mágico, ano em que recebeu em Paris o grau de Comendador da Ordem de Legião de Honra, pelas mãos do presidente francês Jacques Chirac, e a Medalha de Ouro do Círculo de Belas Artes de Madrid.Volta à realização no ano seguinte com o filme Belle Toujours e em 2007 realizaCristóvão Colombo – O Enigma. Em 2008 foi homenageado com a Palma de Ouro de Honra do Festival de Cinema de Cannes como reconhecimento do seu talento e da sua obra.  Aquando da celebração do seu centésimo aniversário, Manoel de Oliveira foi condecorado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, com a Grã-Cruz da Ordem Infante D. Henrique. Faleceu no Porto, no dia 2 de abril de 2015 e era  à data da sua morte, o mais velho realizador do mundo em atividade e o mais velho de sempre com a mais longa carreira da história do cinema, com uns notáveis 88 anos ao seu serviço.

Fontes: Infopédia
wikipedia (imagem)
 

Manoel de Oliveira






Hanno, o elefante que D. Manuel I ofereceu ao Papa Leão X

D. Manuel I ofereceu ao Papa Leão X um elefante. Não se trata do elefante de D. João III, que foi de Lisboa para Viena e inspirou José Saramago em “Viagem do Elefante”. Chamava-se Hanno, em homenagem a um antigo general de Cartago. Era indiano, branco, provavelmente albino.

O rei português ofereceu o elefante após a coroação de Leão X. Chegou a Roma em 1514, numa embaixada chefiada por Tristão da Cunha e que incluía dois leopardos, uma pantera, alguns papagaios, perus e cavalos indianos. Hanno carregava um cofre com paramentos bordados com pedras preciosas e moedas cunhadas para a ocasião. Foi recebido pelo Papa no Castelo de São Ângelo. Ajoelhou-se três vezes perante o pontífice, e aspergiu água sobre os cardeais e a multidão.

Hanno tornou-se a mascote preferida do Papa, mas não se deu muito bem em Roma. Passados dois anos, adoeceu e deram-lhe um purgante à base de ouro (o ouro no pontificado de Leão X foi muito prejudicial…). Morreu com o Papa ao seu lado.

Há diversos desenhos e poemas sobre o Hanno. O próprio Papa compôs o epitáfio, que já não existe, mas foi recolhido num caderno por Francisco de Holanda.
Sob esta grande colina jaz enterrado
Poderoso elefante que El-Rei Manuel,
Tendo conquistado o Oriente
Enviou cativo ao Papa Leão X,
Que o povo romano maravilhou,
Uma besta não vista há muito tempo.

E no meu bruto seio perceberam sentimentos humanos.
O destino invejou a minha residência na bendita Latium
E não teve a paciência de me deixar servir o meu senhor três anos completos.
Mas eu desejo, ó deuses, que o tempo que a Natureza me deu,
E o Destino me arrebatou,
O acrescentem à vida do grande Leão.

Ele viveu sete anos
Ele morreu de angina
Ele media doze palmos de altura.
Giovanni Battista Branconio dell'Aquila,
Camarlengo privado do Papa
E provoste da guarda do elefante,
Eregiu neste em 1516, no 8 de Junho,
No quarto ano do pontificado de Leão X

O que a Natureza arrebatou,
Rafael de Urbino com a sua arte restaurou.
Papa Leão X
Fontes:queridobestiario.blogspot.com
wikipedia (Imagens)
 Esboços de Rafael, a giz vermelho, no Museu Ashmolean de Oxford
Ficheiro:Hanno.raffael.2.jpg
Hanno e o seu mahout. Caneta e tinta, Museu das Belas-Artes de Angers
Ficheiro:Hanno.mahout.jpg

11 de Dezembro de 1475: Nasce o Papa Leão X

Papa italiano, filho de Lourenço de Médicis e de Chiara Orsini, João nasceu a 11 de dezembro de 1475, em Florença. Foi educado por Angelo Poliziano, em 1482 foi tonsurado, sendo nomeado protonotário apostólico algum tempo depois, e cardeal aos treze anos. Estudou Direito Canónico em Pisa e em 1492, quando o seu pai faleceu, a sua vida ficou em perigo na cidade natal devido aos distúrbios causados pelos inimigos da família, vendo-se o futuro papa obrigado a refugiar-se em Urbino, com mais alguns parentes.
No ano de 1500 estabeleceu-se em Roma, no palácio Madama, desde onde patrocinava e protegia os artistas, o que continuou a fazer ao longo da sua vida.
Concluiu o Concílio de Latrão, iniciado por Júlio II, e perdoou os cardeais que tinham participado no de Pisa. A luta com França pela posse de territórios italianos terminou apenas em 1515, com a vitória francesa em Marignano. Ficaram assim as possessões do Sul de Itália nas mãos dos espanhóis e as do Norte nas dos franceses, existindo além destas os Estados Pontifícios e a República de Veneza.
O pontífice foi alvo de uma tentativa de assassinato, uma vez que deu o ducado de Urbino, pertencente ao desleal cardeal Francesco della Rovere, ao seu sobrinho, Lourenço de Médicis. Mas o intento falhou e foi executado o fautor da ideia, o cardeal Petrucci, sendo os restantes presos e posteriormente libertos depois de pagarem elevadíssimas quantias.
Em pleno Renascimento, era muito o fausto e o dinheiro gasto, tendo-se recorrido para fazer face às despesas a meios tão criticáveis como a venda de indulgências, de ofícios e outros similares. Foi então que surgiram as noventa e cinco teses de Martinho Lutero (excomungado em 1521), elaboradas apenas com a intenção de serem debatidas no Concílio de Latrão mas que conheceram uma rapidíssima aceitação popular pelo descontentamento que provocavam os pesados encargos impostos pela Igreja.
Faleceu a 1 de dezembro de 1521 sendo sepultado na basílica do Vaticano, foi transferido no papado de Paulo III para a igreja de Santa Maria sopra Minerva.
Leão X. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (imagens)

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 Leão X com os cardeais Giulio de Medici e Luigi de Rosssi - Rafael



Hanno (c. 1510  8 de Junho de 1516), ou Annone em italiano, foi o elefante branco, ou albino, mascote do papa Leão X, oferecido, na ocasião da sua coroação, por El-Rei D. Manuel I. O seu nome ter-lhe-ia sido dado em honra do general cartaginês com o mesmo nome.

sábado, 10 de dezembro de 2016

10 de Dezembro de 1936: O Rei Eduardo VIII anuncia a sua abdicação do trono britânico para casar com a americana Wallis Simpson

No dia 10 de Dezembro de 1936, o rei Eduardo VIII de Inglaterra decide abdicar do trono por amor a Wallis Simpson, uma plebeia americana divorciada duas vezes. O escândalo na corte foi enorme. Os costumes da família real tornavam difícil e até mesmo impossível a ascensão de uma divorciada ao estatuto de consorte e o governo aproveita o affair para livrar o trono de um monarca que não escondia simpatias pela Alemanha nazi.
Eduardo assinou o "Instrumento de Abdicação"  em Fort Belvedere, na presença dos seus irmãos mais novos: príncipe Alberto, Duque de York, o príncipe Henrique, Duque de Gloucester e o príncipe Jorge, Duque de Kent. No dia seguinte, o seu último acto como rei foi dar o consentimento real à Lei da Declaração de Abdicação de Sua Majestade de 1936. Conforme exigido pelo Estatuto de Westminster, todos os Domínios consentiram com a abdicação.
Na noite de 11 de dezembro de 1936, Eduardo, agora novamente príncipe, fez um discurso à nação e ao império, explicando a sua decisão de abdicar. Após reinar menos de um ano, Eduardo VIII torna-se o primeiro monarca inglês a abdicar voluntariamente do trono. Preferiu abdicar após o governo britânico, a opinião pública e a Igreja Anglicana terem condenado a sua decisão de casar-se com Wallis. “Considerei impossível carregar tão grave responsabilidade e desempenhar os deveres de rei, como gostaria, sem a ajuda e o apoio da mulher que amo”, explica naquela noite, numa declaração pela rádio.
Eduardo, nascido em 1896, era o filho mais velho do rei Jorge V, que havia subido ao trono britânico em 1910. Ainda solteiro perto dos 40 anos, Eduardo costumava frequentar a alta sociedade londrina. Por volta de 1934, apaixona-se profundamente pela norte americana Wallis Simpson, então casada com Ernest Simpson, um empresário anglo-americano que vivia perto de Londres.
Wallis, nascida na Pensilvânia, já se havia divorciado de um piloto da marinha dos Estados Unidos. A família real desaprova a relação. No entanto, em 1936, o príncipe manifesta a intenção de se casar com ela. Porém, antes de discutir o assunto com o pai, Jorge V morre e Eduardo é aclamado rei.
O novo rei era popular entre os seus súbditos. A coroação é marcada para Maio de 1937. Devido a um acordo de cavalheiros entre a imprensa britânica e o governo, após o impacto que a notícia provoca, o caso é abafado e retirado das páginas dos jornais. Em 27 de Outubro de 1936, Simpson consegue uma certidão preliminar de divórcio, provavelmente com a intenção de se casar com o rei, o que precipita o maior dos escândalos. Winston Churchill, então um deputado do Partido Conservador, é o único político notável a apoiar Eduardo.
Apesar da frente aparentemente unida contra ele, Eduardo não é dissuadido. Propõe um casamento  em que Wallis não receberia direitos de distinção ou propriedade. A 2 de Dezembro, o primeiro-ministro Stanley Baldwin rejeita a proposta como impraticável. No dia seguinte, o escândalo explode nas primeiras páginas dos jornais e é discutido abertamente no Parlamento. Sem qualquer solução à vista, o rei abdica. No dia seguinte, o Parlamento aprova o acto.
Como novo rei, Jorge VI concede ao irmão mais velho o título de Duque de Windsor. No dia 3 de Junho de 1937, Eduardo casa-se com Wallis no Castelo de Cande, no Vale do Loire, em França.
Nos dois anos seguintes, o casal visita vários países, entre eles a Alemanha, sendo homenageado por funcionários nazis e tendo um encontro particular com Hitler. Depois da eclosão da Segunda Guerra, o duque aceita um posto como elo de ligação com a França. Em Junho de 1940, a França é ocupada pelos nazis e o casal  mud-se  para  Espanha. Durante esse período, os alemães arquitectam um plano para sequestrar Eduardo com a intenção de fazê-lo voltar ao trono da Inglaterra como um rei fantoche. Jorge VI, a exemplo do seu novo primeiro-ministro, Churchill,  opõe-se a qualquer acordo de paz com a Alemanha. Sem saber do complot mas consciente das simpatias pró-nazis de Eduardo, Churchill oferece-lhe o governo das Bahamas. O duque e a duquesa embarcam em Lisboa no dia 1 de Agosto de 1940, escapando por pouco a um esquadrão nazi pronto para raptá-los.
Em 1945, o casal retorna a Paris. Eduardo faz poucas visitas à Inglaterra, como para assistir aos funerais do seu irmão, em 1952, e o da sua mãe, a rainha Maria, em 1953. Eduardo morre em Paris em 1972 e é enterrado no Castelo de Windsor. Em 1986, morre Wallis, e o seu corpo é enterrado ao lado do marido.
 Fontes:Opera Mundi
 wikipedia (imagens)

O Príncipe de Gales em 1932

Eduardo VIII e Wallis Simpson em 1936

File:Edward abdication.png

 A abdicação de Eduardo VIII






10 de Dezembro de 1948: A ONU adopta a Declaração Universal dos Direitos do Homem

A ONU (Organização das Nações Unidas) adoptou em 10 de Dezembro de 1948 a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Inspirado pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão da Revolução Francesa em 1789, o texto foi essencialmente redigido por John Peters Humphrey e René Cassin. Ele enuncia os direitos fundamentais de todos os indivíduos, notadamente aquele da igualdade ao nascerem. A Declaração Universal foi adoptada com 48 votos a favor, nenhum contra e 8 abstenções. 

A Declaração não tem força legal, porém, serve de base para dois tipos de tratamento dos direitos humanos da ONU, esses obrigatórios: o Tratado Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Tratado Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais. É bastante citada e utilizada em meios académicos e jurídicos. Especialistas em direito internacional discutem com frequência quais dos seus artigos representam o direito consuetudinário internacional. O documento determina que todos têm direito à vida, à liberdade, à educação, à saúde, à habitação, à propriedade, à participação política, ao lazer. 

Abalados pela barbárie da Segunda Guerra Mundial e desejosos de construir um mundo sob novos alicerces ideológicos, os dirigentes das nações que emergiram como potências, lideradas pela União Soviética e EUA estabeleceram na Conferência de Ialta, em 1945, as bases de uma futura paz, definindo áreas de influência das potências e acertado a criação de uma organização multilateral que promovesse negociações sobre conflitos internacionais, objectivando evitar guerras, promover a paz e a democracia e fortalecer os direitos humanos. 

Durante a Primeira Guerra Mundial, os aliados adoptaram as Quatro Liberdades: liberdade de livre expressão, de religião, liberdade por necessidades e de viver livre do medo. A Carta das Nações Unidas "reafirmou a fé nos direitos humanos, na dignidade, e nos valores humanos das pessoas" e convocou a todos seus estados-membros a promover "respeito universal, e observância do direitos humanos e liberdades fundamentais para todos sem distinção de raça, sexo, língua, ou religião" 

Quando as atrocidades cometidas pela Alemanha nazi se tornaram públicas, o consenso entre a comunidade mundial era que a Carta das Nações Unidas não tinha definido suficientemente os direitos a que se referia. Uma declaração universal que especificasse os direitos individuais era necessária para dar efeito aos direitos humanos. Em 1950, a ONU estabeleceu que anualmente, nesta data, seria celebrado o Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)



Eleanor Roosevelt exibe cartaz contendo a Declaração Universal dos Direitos  do Homem 








Declaração Universal dos Direitos do Homem


Artigo 1.º 
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Artigo 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.
Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Artigo 3.º
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4.º
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.
Artigo 5.º
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Artigo 6.º
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento em todos os lugares da sua personalidade jurídica.
Artigo 7.º
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8.º
Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
Artigo 9.º
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 10.º
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.
Artigo 11.º
1. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
2. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido.
Artigo 12.º
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
Artigo 13.º
1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
Artigo 14.º
1. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.
2. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 15.º
1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo 16.º
1. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
2. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado.
Artigo 17.º
1. Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à propriedade.
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
Artigo 18.º
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 19.º
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.
Artigo 20.º
1. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo 21.º
1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicos do seu país.
3. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
Artigo 22.º
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
Artigo 23.º
1. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
2. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
3. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
4. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para a defesa dos seus interesses.
Artigo 24.º
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres e, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e a férias periódicas pagas.
Artigo 25.º
1. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
2. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimónio, gozam da mesma protecção social.
Artigo 26.º
1. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
2. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
3. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos.
Artigo 27.º
1. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
2. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.
Artigo 28.º
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciados na presente Declaração.
Artigo 29.º
1. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
2. No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
3. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 30.º
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.
 
 


10 de Dezembro de 1920: Nasce a escritora brasileira Clarice Lispector

Escritora brasileira, nasceu na Ucrânia a 10 de dezembro de 1920 e morreu no Rio de Janeiro a 9 de dezembro de 1977. Tinha dois meses quando chegou ao Brasil com os pais, imigrantes russos.Foi redatora jornalística enquanto estudava Direito, curso de que fez o bacharelato em 1944. Em 1943, escreveu o seu primeiro romance - Perto do Coração Selvagem, logo sendo filiada, por alguns críticos, na linha de James Joyce e Virginia Woolf. Contudo, é a partir de A Maçã no Escuro (1961) que a melhor crítica brasileira a situa, ao lado de Guimarães Rosa, no centro da ficção de vanguarda nacional.Na sua escrita romanesca, o enredo é subalternizado pela invasão da intimidade das personagens. O estilo de Clarice Lispector é conciso, muitas vezes cru. As personagens revelam-se através de descrições minuciosas de atos e pela seleção milimétrica das palavras, que inevitavelmente vão indiciando verdades mais fundas, mesmo que nunca plenamente atingidas.
Na sua obra, de que são expoentes máximos A Paixão segundo G. H. (1964) e Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres, o uso da metáfora insólita, o recurso ao fluxo de consciência e a rutura do enredo factual desaguam na hipertrofia do momento interior e na crise da própria subjetividade: crise da personagem que intenta superar as fronteiras do seu próprio ego em busca de uma dimensão supra-individual; crise da linguagem e das suas relações convencionais, afetadas por construções sintáticas anómalas, nomeadamente através de inversões e antecipações de complementos; crise da narrativa, contaminada por um estilo quase ensaístico.
Entre os seus romances e livros de contos destacam-se, além dos acima citados: O Lustre (1946), A Cidade Sitiada (1949), Alguns Contos (1952), Laços de Família (1960) e A Legião Estrangeira (1964).Clarice Lispector. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)
Ficheiro:Clarice Lispector.jpg

 
Capa da edição original de Paixão Segundo G.H.

10 de Dezembro de 1913:O quadro "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, é recuperado, dois anos depois de ter sido roubado do Museu do Louvre

Segunda-feira, 21 de Agosto de 1911. Como quase todos os museus fecham às segundas-feiras, também o Louvre estava fechado nesse dia. Somente uns poucos funcionários faziam trabalhos de manutenção nos salões do importante acervo artístico em Paris. Entre eles, o pintor de paredes Vicenzo Peruggia.
Sem testemunhas, o italiano aproxima-se da obra-prima de Leonardo da Vinci. Naquela época, o quadro Mona Lisa, era conhecido apenas por alguns entendidos em arte, tanto que ocupava um lugar discreto no Louvre. Peruggia retira a tela da moldura e deixa o museu sem chamar a atenção. O roubo só se tornaria público no dia seguinte. Os 257 funcionários que estavam de serviço foram interrogados e tiveram as suas impressões analisadas. Ninguém foi acusado.
Dia 26 de Agosto de 1911 a notícia torna-se matéria de primeira página.  O jornal Le Petit Parisien  relata o roubo em duas páginas; Le Matin oferece 5 000 francos aos videntes, numerólogos, cartomantes ou qualquer outra ciência oculta para se encontrar a obra. A Sociedade dos Amigos do Louvre oferece 25 000 francos para quem a encontrasse. Um milionário anónimo oferece o dobro. A revista L’Illustration oferece 50.000 francos para aquele que levar o quadro até à editora.
Semanas depois o museu reabre ao público e uma multidão  corre para ver o espaço vazio do quadro. Alguns deixam  flores como símbolo da perda de um ente querido.
A busca decorre até ao mês de Setembro quando um juiz manda prender o escritor Guillaume Apollinaire, que havia declarado que gostaria de ”queimar o Louvre”. Gery-Pieret, amigo e antigo secretário particular de Appolinaire, ladrão confesso de três estatuetas ibéricas e máscaras fenícias do museu,  declara ao Paris-Journal que foi ele quem furtou a Mona Lisa e que somente a devolveria em troca de 150 000 francos. E para provar que não estava a mentir enviou uma das três estatuetas roubadas para o jornal.
Pablo Picasso também foi interrogado e acusado de cumplicidade pois havia comprado para estudos uma estatueta e uma máscara fenícia a Gery-Pieret. O roubo também foi reivindicado pelo poeta, escritor e dramaturgo italiano Gabriele D’Annunzio, autor de uma peça de teatro intulada La Giocconda. Finalmente, todos são declarados inocentes.
Dois anos depois, no dia 10 de Dezembro de 1913,  a informação de um comerciante de antiguidades levou a Polícia de Florença à província de Como, no norte da Itália. Lá, o decorador Peruggia é encontrado e ao ser detido, confessou o crime e  justificou-o com um motivo incomum: patriotismo.
O pintor queria apenas levar de volta ao seu país um dos maiores tesouros da arte italiana e, assim, vingar-se de Napoleão, que no século anterior teria confiscado a obra. Um engano de Peruggia, condenado a um ano e 15 dias de prisão. Na verdade, o próprio Da Vinci vendera o retrato Mona Lisa ao rei francês Francisco I, em 1516. Reencontrada a pintura, especialistas do Louvre levaram-na à Galleria degli Uffizi, em Florença, para verificar a sua autenticidade. Eles identificaram o retrato como original. Desde então, a Mona Lisa passou a estar bem vigiada. Com o seu "sequestro", que quase provocou uma crise cultural na Europa,a  Mona Lisa tornou-se famosa em todo o mundo. Numerosos entendidos passaram a discutir cada detalhe da pintura. Seria ela Isabella Gualanda, uma cortesã do Vaticano, ou realmente a esposa do mercador florentino Francesco del Giocondo, motivo pelo qual o quadro também é conhecido como La Gioconda?
Outros afirmaram tratar-se, na verdade, de um auto retrato de Da Vinci,em 1914 um estudioso francês defendeu a opinião de que Mona Lisa não deveria ser vista como uma florentina histórica, mas como uma representação artística idealizada, sem necessidade de identificação da pessoa.
Fontes:www.dw
wikipedia (Imagens)
Ficheiro:Mona Lisa, by Leonardo da Vinci, from C2RMF retouched.jpg
Ficheiro:Mona Lisa stolen-1911.jpg
Foto da parede do Louvre onde se encontrava o quadro em 1911, pouco após ter sido roubado
Ficheiro:Vincenzo peruggia.jpg
Vicenzo Peruggia, o autor do roubo