terça-feira, 21 de novembro de 2017

21 de Novembro de 1898: Nasce o pintor surrealista René Magritte

René François Ghislain Magritte, mais conhecido como René Magritte, nasceu na cidade de Lessines, na Bélgica, no dia 21 de Novembro de 1898. René foi um dos mais significativos artistas plásticos do movimento surrealista.

René era o filho mais novo do casal Léopold e Regina Magritte, e em 1912 perdeu a mãe, que no referido ano se suicidou mergulhando no Rio Sambre, evento testemunhado pelo jovem Magritte. Mais tarde, em 1916, o artista é admitido na Académie Royale des Beaux-Arts, em Bruxelas, instituição na qual permanece durante dois anos. Nesta ocasião o pintor passa a trabalhar como desenhador numa fábrica que produz papéis de parede, e tem seu primeiro encontro com Georgette Berger, sua esposa a partir de 1922.

Magritte trabalhou também como designer de cartazes e ofertas publicitárias até 1926, quando começou a sobressair no movimento surrealista; neste período ele assina um acordo com a Galeria de Artes de Bruxelas. Posteriormente dedica-se de corpo e alma à pintura, e integra no seu currículo a criação de uma obra surrealista, Le jockey perdu, e um ano depois realiza a sua primeira mostra de arte, a qual não é bem acolhida entre os críticos.

Uma marca significativa na obra de Magritte é sua suposta incoerência, tal como se apresenta na pintura Rape– palavra que, em português, significa ‘Violação’; nela aparece um torso no lugar de um rosto. O seu temperamento irrequieto reflecte-se em trabalhos como Golconda, no qual seus excêntricos homens caem do firmamento, trajando chapéu-coco e completamente tranquilos, um acontecimento que revela um pouco da existência humana.

O artista exercitava o que se denomina de surrealismo realista ou ‘realismo mágico’. No início da sua carreira ele tentava reproduzir os trabalhos dos pintores vanguardistas, mas aos poucos deu conta da sua ânsia por uma expressão mais poética e, nesse momento, foi profundamente inspirado pela obra metafísica de Giorgio de Chirico.

Em 1927 Magritte foi para a capital francesa e passou a frequentar os meios surrealistas, quando conheceu André Breton, Paul Éluard e Marcel Duchamp, transformando-se em fiel companheiro dos poetas e do pintor francês. Ao concluir o seu contrato com a Galerie la Centaure o artista voltou para Bruxelas e aí permaneceu, inclusive ao longo do período em que os alemães estiveram nesta região.

Na década de 40 aventura-se em outros géneros, assimilando caracterísitcas impressionistas, mas estes trabalhos não são bem-sucedidos. O pintor faleceu em 15 de Agosto de 1967, vítima de cancro, e foi sepultado no Cemitério Schaarbeek, localizado em Bruxelas.
Fontes: Infoescola
wikipedia (imagens)
 Magritte numa fotografia de  Lothar Wolleh em 1967
Golconda
Golconda - Rene Magritte
The Empire of Lights

21 de Novembro de 1857: Nasce o pintor Columbano Bordalo Pinheiro

Pintor português, nascido a 21 de novembro de 1857, em Almada, Columbano Bordalo Pinheiro pertencia a uma família ligada às artes e era irmão de Rafael Bordalo Pinheiro. É considerado o pintor mais significativo dos finais do século XIX. Foi aluno de seu pai, Manuel Maria Bordalo Pinheiro, de Miguel Ângelo Lupi e de Simões de Almeida. Parte para França em 1881, descobrindo a obra de Degas e Maneie, mas também a de Courbet e Deschamps. Foi professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa e diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea, vindo a falecer a 6 de novembro de 1929. Embora frequentando os naturalistas, os temas do amor pela Natureza não o atraiam, conservando-se essencialmente como um retratista, influenciado pela escola flamenga e pela vertente sombria dos mestres espanhóis. Em Concerto de Amadores (1882), uma obra da juventude, apresenta as linhas de força que virão a ocupar o sentido plástico do seu espaço pictural. Os castanhos e os negros imperam, o tratamento do claro-escuro acentua a encenação dramática. O retrato de D. José Pessanha (1885) constitui uma variação de ocres e cinzentos e toda a composição assume uma postura sabiamente informal. Columbano foi uma testemunha angustiada do quadro político-social dos finais do século. O Retrato de Antero de Quental (1889) parece profetizar o fim próximo do poeta-filósofo, ao mesmo tempo que simboliza toda a geração dos "Vencidos da Vida".
Columbano Bordalo Pinheiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)
 
Auto retrato - Columbano Bordalo Pinheiro
Ficheiro:Columbano Bordalo Pinheiro 003.jpg
Um Concerto de Amadores - Columbano Bordalo Pinheiro

Grupo do Leão - Columbano Bordalo Pinheiro
Ficheiro:Grupo do Leão by Columbano Bordalo Pinheiro.jpg

21 de Novembro de 1877: Thomas Edison anuncia a invenção do Fonógrafo

Thomas Edison foi um inventor norte-americano (1847-1931), registou mais de 1000 patentes na área da tecnologia, incluindo a lâmpada elétrica incandescente, o fonógrafo e o aparelho de projeção.
Apenas com doze anos de idade, começou a vender jornais durante viagens de comboio. Depois, num vagão que lhe foi cedido, montou uma prensa de impressão e fundou o jornal Weekly Herald que redigia, imprimia e vendia durante as viagens. Nos tempos livres, dedicava-se ao estudo de física, mecânica e química e fazia experiências no vagão. No decorrer de uma experiência pegou fogo ao vagão, sendo obrigado a mudar de emprego. Foi então trabalhar para um posto de telégrafo, emprego que ocupou até à Guerra Civil (1861-1865). Aos 17 anos de idade registou a primeira patente - um telégrafo duplo. Ao aperceber-se da necessidade de comunicações rápidas, durante a guerra, dedicou-se às invenções neste campo. Tornou-se rico e famoso, criando o primeiro centro de investigação fora da Universidade. A sua descoberta, denominada "efeito de Edison", fenómeno que consiste na emissão de eletrões por metais incandescentes, está na base da lâmpada de díodo.Edison desempenhou um papel fundamental nos campos das comunicações e da eletricidade.
Thomas Edison. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.



File:Edison and phonograph edit1.jpg
Thomas Edison com o seu segundo fonógrafo - Fotografia de  Mathew Brady 
  
O fonógrafo é um aparelho para registar e reproduzir o som. Foi inventado, em 1877 por Thomas Alva Edison.O fonógrafo é uma derivação direta do fonoautógrafo inventado por Scott de Martinville em 1857 e do paleófono, criado por Ch. Cross.
O fonógrafo inventado por Edison era basicamente um recetor constituído por um funil metálico cujo o extremo mais estreito ligava a uma membrana unida a um estilete. Ao falar para a embocadura a membrana vibrava em função do som emitido e a vibração era transmitida ao estilete que gravava sobre a superfície de um cilindro de cera giratório, que constituía o sistema de registo. O recetor movia-se, por sua vez, no sentido perpendicular ao movimento de rotação do cilindro, com o que se conseguia um sulco espiral, que abrangia toda a superfície deste.
Para reproduzir usava-se outro funil, o mesmo ou maior, em cujo extremo mais estreito existia outra membrana e outra agulha. No momento da reprodução, tanto o cilindro como o elemento reprodutor seguiam o mesmo movimento que no momento da gravação. A agulha seguia o sulco registado na superfície da cera e transmitia a vibração ao diafragma, reproduzindo assim o som original.
Este fonógrafo foi substituído pelo gramofone, que utilizava discos em vez de cilindros.
fonógrafo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
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21 de Novembro de 1694: Nasce François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire

Escritor francês, nascido a 21 de novembro de 1694, em Paris, e falecido na mesma cidade a 30 de maio de 1778, ano em que tinha ido à capital francesa e se tinha filiado na maçonaria. François Marie Arouet, que passou à posteridade com o nome de Voltaire, era filho de François Arouet, notário, e de Marie Marguerite Daumart. Estudou a partir de 1704 no colégio jesuíta Louis-le-Grand e em 1713 tornou-se secretário da embaixada francesa em Haia. Ao longo da sua vida exerceu diversas profissões, como as de relojoeiro, de arquiteto e de agricultor. Escreveu versos críticos sobre Filipe II de Orleães, então regente do trono francês, que ao serem publicados em panfletos fizeram com que fosse preso na Bastilha durante quase um ano. Neste período de tempo dedicou-se a escrever um poema sobre Henrique IV (publicado em Genebra em 1723 com o nome de Poème de la ligue) e a tragédia Édipo, esta última estreada no Théatre Français em 1718, data em que adotou o pseudónimo de Voltaire. Em 1726 seria de novo encarcerado na Bastilha devido a um desentendimento com o Cavaleiro de Rohan, e quando saiu passou três anos em Inglaterra. A partir de 1750 passou a frequentar a corte prussiana de Frederico II, e quando saiu desta, em 1753, foi para a de Catarina II da Rússia. Em 1746 foi admitido na Academia Francesa e a partir de 1755 viveu na Suíça, perto de Genebra, dedicando-se a redigir uma obra literária e filosófica centrada nas leis sociais, que deveriam basear-se numa conceção de justiça universal. A ideia de justiça, de paz e de tolerância perpassou toda a sua produção, tanto no que diz respeito às relações inter-religiosas como aos demais âmbitos da vida humana.
Voltaire, um teísta - não sendo ateu, não acredita porém no providencialismo, como se na sua obra Cândido, mas reconhece a existência de um "geómetra" do universo -, atacou diversas vezes a Igreja Católica. Defensor da tolerância religiosa, não deixou de se fazer notar pela sua escrita crítica, satírica até, atenta ao mundo, mas acreditando na plenitude do Homem e nas suas capacidades. Temos assim Voltaire como um dos expoentes máximos do Iluminismo, um dos pensadores que mais acreditaram na Razão e na Liberdade.
Algumas das suas obras são: Édipo (1718), História de Carlos XII (1730), Brutus (1730), O templo do gosto (1733), Cartas inglesas ou Cartas filosóficas (1734), Adelaide du Guesclin (1734), Epístola sobre Newton (1736), Tratado de metafísica (1736), O século de Luís XIV (1751), Poema sobre o desastre de Lisboa (1756), Estudo dos hábitos e do espírito das nações (1756), Cândido ou o otimismo (1759), Tratado sobre a tolerância (1767), A princesa da Babilónia (1768) e Da alma ( 1777)
Voltaire. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
wikipedia (Imagens)

Ficheiro:Atelier de Nicolas de Largillière, portrait de Voltaire, détail (musée Carnavalet) -002.jpg
Retrato de Voltaire - Atelier de Nicolas de Largillière
Voltaire com 41 anos - Quentin de La Tour
File:Tafelrunde.PNG
Convidados de Frederico II da Prússia. Voltaire é o terceiro do lado esquerdo. Obra de Adolph Menzel

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

20 de Novembro de 1910: Morre o escritor russo Leon Tolstoi, autor de "Anna Karenina" e "Guerra e Paz"

O conde Lev Nikolaievitch Tolstoi nasceu a 09 de setembro de 1828, em Isnaia Poliana, na Rússia central. Os seu pais pertenciam a famílias distintas da nobreza russa. Órfão bastante cedo, é colocado com os seus irmãos sob a tutela de familiares. Sentindo necessidade de uma vida regrada, segue a carreira militar, o que não o impede de publicar várias narrativas autobiográficas. Infância, o seu primeiro trabalho, aparece na revista O Contemporâneo, em 1852. Seguem-se Adolescência (1854) e Juventude (1855). Entre 1852 e 1856 publica igualmente narrativas sobre as suas experiências militares. Estas novelas trazem-lhe a celebridade. Defende os valores da autenticidade, do natural, presentes na vida dos camponeses, em oposição aos valores artificiais das classes privilegiadas. Posiciona-se como um liberal moderado, o que não o impede de se colocar a favor da abolição da servidão dos camponeses e desenvolve mesmo métodos pedagógicos de educação popular. Em 1862 casa-se com Sofia Andreevna Bers e instala-se na sua propriedade em Isnaia Poliana. Termina Os Cossacos em 1863 e nesse mesmo ano inicia o projeto de Guerra e Paz (1863-69). Para o autor, não são os grandes nomes que fazem a História e que comandam os acontecimentos; é ao povo, enquanto guardião da verdade e fiel aos seus instintos, que compete representar o papel principal no desenrolar dos factos históricos. O romance Ana Karenine (1873-77) relata o amor trágico de uma mulher sob fundo de emancipação feminina e de mudanças sociais profundas. Nos anos seguintes, uma grave crise moral e psicológica, relatada no ensaio Confissão (1879), leva-o a encetar uma busca da essência da mensagem espiritual, resumida nos princípios cristãos de amor a Deus e ao próximo. A rutura com a Igreja será irreversível em 1901, com a sua excomunhão, o que não deixa de o tornar popular entre a juventude intelectual. Entretanto, nos últimos romances, a condição humana é analisada através de uma lucidez sombria; o ser humano pode resgatar-se pela conversão espiritual. A Morte de Ivan Ilitch (1886), A Sonata a Kreutzer (1890), Ressurreição (1889-99) e Hadji Mourat (1890-1904) fazem parte deste período. Escreve igualmente ensaios em que condena as sociedades modernas baseadas na procura do supérfluo e evidencia uma exigência moral que resultará num conflito interior extremo. É alvo de todas as atenções quando apenas procura a simplicidade e a renúncia. A sua autoridade, a celebridade que conquistou, tornam-se um obstáculo à sua questa espiritual. Em fuga, acaba por encontrar a morte a 20 de novembro de 1910, na estação de caminhos de ferro de Astapovo.
Leão Tolstoi. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
Fonte Fotografia: Wikipédia


Tolstoi com 20 anos


Única fotografia a cores de Tolstoi, em Yasnaya Polyana (1908).




20 de Novembro de 1945: Início dos Julgamentos de Nuremberga

Poucos meses após o fim da Segunda Guerra Mundial e o suicídio de Adolf Hitler, alguns dos seus principais colaboradores sentaram-se no banco dos réus, a 20 de Novembro de 1945, para serem julgados por crimes de guerra.
Nuremberga, Novembro de 1945. A cidade na qual Hitler e seus cúmplices eram celebrados anualmente nas convenções do partido nazi está destruída, como a maioria dos centros urbanos alemães. O edifício da Justiça na rua Fürther Strasse, no entanto, mal fora danificado. Ali, na sala 600 do Tribunal do Júri, reuniu-se de 20 de Novembro de 1945 a  1 de Outubro de 1946 o Tribunal Militar Internacional.
Já durante a guerra os Aliados haviam decidido levar a elite nazi ao banco dos réus quando o conflito terminasse. Desde Outubro de 1942, a Comissão de Crimes de Guerra das Nações Unidas juntava provas e documentos e elaborava uma lista de crimes.
"Quando eu comecei, no ano de 1942, a trabalhar neste assunto nos Estados Unidos, os meus colegas americanos perguntavam-me: 'Então, é tudo verdade? Podemos provar isto?' E eu respondia que podíamos comprovar 100%. Em Nuremberga, pude ver mais tarde que as coisas não eram 100%, mas 105%. Eles mesmos deixaram por escrito, a começar por Hermann Göring", recorda Robert Kempner, um jurista, que actuou na acusação em Nuremberga.
Lista de acusados
Em 20 de Novembro de 1945, a audiência contra os principais criminosos de guerra foi aberta. A lista de acusados era um "quem é quem" do regime de Hitler: Hermann Wilhelm Göring, Rudolf Hess, Joachim von Ribbentrop, Robert Ley, Wilhelm Keitel, Ernst Kaltenbrunner...
Vinte e dois acusados proeminentes, entre eles três do estreito grupo de líderes em torno de Hitler: Martin Bormann, desaparecido desde o fim da guerra, Hermann Göring e Rudolf Hess, assim como os militares Keitel, Jodl, Raeder e Dönitz, e os ministros Ribbentrop, Frick, Funk e Schacht. A relação prosseguia: Alfred Rosenberg, que comandava a região leste ocupada, Hans Frank, governador-geral da Polónia, Arthur Seyss-Inquardt, comissário do Reich para a Holanda ocupada, Fritz Sauckel, que distribuía os escravos do regime  nazi, e Albert Speer, que como ex-ministro da Munição e das Armas recrutou vários trabalhadores forçados para as indústrias alemãs do sector.
Abertura
"O presidente do Tribunal abre a secção. Então, passa a palavra ao principal promotor americano. A sua voz soa como se estivesse distante. Os intérpretes murmuram atrás da divisória envidraçada. Todos os olhos estão voltados para os acusados... Agora estão sentados, no banco dos réus, a guerra, o pogrom, o rapto de pessoas, o assassinato em massa e a tortura. Gigantescos e invisíveis, eles estão sentados ao lado das pessoas acusadas", descreveu o escritor Erich Kästner nas  suas impressões. Ele foi um dos poucos alemães admitidos como observadores no julgamento.
A acusações são resumidas em quatro pontos:
  1. Conspiração contra a paz mundial;
  2. Planeamento, início e condução de guerra;
  3. Crimes e violações ao direito de guerra;
  4. Crimes contra a humanidade.
Encerrada a leitura do libelo acusatório, os réus foram questionados se consideravam-se "culpados" ou "inocentes". Hermann Göring tentou dar uma longa declaração, mas foi interrompido pelo juiz.
Göring: "Antes que eu responda à pergunta do tribunal se eu me considero culpado ou inocente..."
Juiz: " Deve declarar-se culpado ou inocente..."
Göring: "No espírito da acusação, eu considero -me inocente".
Os demais acusados também alegaram inocência, dentro do "espírito da acusação". Todos declararam ter apenas obedecido a ordens, não ter conhecimento dos crimes e empurraram toda a responsabilidade para o ditador morto. Nenhum defendeu a ideologia em nome da qual milhões foram atacados, escravizados e assassinados.
Fontes: DW
wikipedia (Imagens)
Ficheiro:Defendants in the dock at nuremberg trials.jpgVista do banco dos réus no tribunal de Nuremberga.