sábado, 21 de janeiro de 2017

21 de Janeiro de 1950: Morre o escritor inglês George Orwell, autor de "O Triunfo dos Porcos"

Escritor inglês, de nome verdadeiro Eric Blair, nascido a 25 de junho de 1903, em Bengala, Índia, e falecido a 21 de janeiro de 1950, em Londres. Convencendo-se de que o imperialismo era uma ilusão, foi para Inglaterra, após ter feito parte da polícia imperial na Birmânia. Aproximando-se, mais tarde, do socialismo, acabou por abordar os problemas sociais com franqueza e precisão. Desde o início, os seus romances basearam-se nas suas experiências pessoais. Da sua vasta obra, destacam-se Burmese Days (1934), The Clergyman's Daughter (1934), Keep the Aspidistra Flying (1936), The Road to Wigan Pier (1937), Animal Farm  (O Triunfo dos Porcos) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro.


O Triunfo dos Porcos

Romance de George Orwell, cujo título original é Animal Farm, publicado em 1945. A história relata a revolução dos animais da quinta Manor, propriedade do senhor Jones. 

O Velho Major, o mais respeitado porco, reúne, durante a noite, todos os animais da quinta e conta-lhes um sonho que tivera - a sua morte estava para breve e compreendia, então, o valor da vida. Explica logo aos companheiros que devem a sua miserável existência à tirania dos homens que, preguiçosos e incompetentes, usufruem do trabalho dos animais, vítimas de uma exploração prepotente. O Velho Major incita o grupo não só à rebelião, para derrotar o inimigo, como também a entoar o cântico de revolta "Animais de Inglaterra". 
Três dias depois, morre o Velho Major. Mas a revolução prossegue, com novos líderes - os porcos Snowball, Napoleão e Squealer, que criam o Animalismo, como sistema doutrinário, com "Os Sete Mandamentos". Expulsam o dono da quinta e mudam o nome da propriedade para "Quinta dos Animais". Dada a estupidez e a limitação de alguns, que não conseguem decorar os "Mandamentos", Snowball reduziu-os a uma máxima: "Quatro pernas, bom; duas pernas, mau".


O regime do Animalismo começa logo de forma vigorosa, com todos os animais a trabalharem, de forma a fazerem progredir a quinta – a auto-gestão estimulava o orgulho animal. Snowball cria uma lista de comissões para conceber programas de desenvolvimento social, educação e formação. 
Com o passar do tempo, os porcos tornam-se corruptos pelo poder. Instala-se então uma nova tirania, sob o comando de Napoleão, que passa a impor um novo princípio: "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros". 
Numa demonstração do seu sucesso político-social, os porcos convidam, para um jantar, os donos das propriedades vizinhas, a fim de que estes se apercebam da eficiência da "Quinta dos Animais". E são felicitados pelo sucesso do seu regime. Nessa altura, o cavalo Clover constata, horrorizado, que já não é possível distinguir a cara dos porcos da dos homens.
Orwell, através desta fábula, pretende não só demonstrar como o idealismo foi traído pelo desejo de poder e pela corrupção e mentira, como também condenar o totalitarismo, a Revolução Russa de 1917 e a Rússia de Stalin. 
Em 1955, a obra foi adaptada para filme animado, com título homónimo.


George Orwell. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 





"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." George Orwell

21 de Janeiro de 1924: Morre Vladimir Ilych Ulianov, Lenine.

Em 21 de Janeiro de 1924, morre o líder da revolução bolchevique, Vladimir Ilitch Ulianov - Lenine. O revolucionário já estava semi-paralisado devido a sucessivos acidentes vasculares e aos poucos foi obrigado a renunciar ao exercício do poder. Mas teve tempo de instalar a ditadura do proletariado após o triunfo da Revolução de Outubro. A sua morte, devido a uma hemorragia generalizada, provocou intensa comoção popular. O funeral de Lenine teve a assistência de quase 1 milhão de pessoas sob o rigoroso inverno russo. 

Teórico político e homem de acção, Lenine foi o primeiro dos herdeiros de Marx a conduzir uma revolução até à vitória, lançando as bases do sistema soviético. Combinando uma reflexão teórica original e uma visão de organização centralizada e disciplinada, foi considerado pelos seus contemporâneos como o verdadeiro pai da revolução bolchevique. Os opositores consideram-no também como a origem do sistema de repressão e supressão das liberdades individuais. 

Influenciado desde muito cedo pela leitura da obra seminal de Karl Marx, O Capital, Lenine radicalizou a sua posição aquando da execução do seu irmão mais velho, Aleksandr, por conspirar contra o czar Alexandre III em 1887. Profundo e ardoroso intelectual, Lenine associa os princípios do marxismo directamente à sua própria teoria de organização política e a análise da realidade russa, imaginando um grupo de elite de revolucionários profissionais - ou “vanguarda do proletariado” -, que inicialmente conduziriam as massas russas à vitória sobre o regime czarista para finalmente provocar uma revolução mundial. Expôs essa teoria na sua famosa obra O que fazer? em 1902. A insistência de Lenine na necessidade desta vanguarda acabou por dividir o Partido Social-Democrata russo em dois. Uma ligeira maioria passou a ser conhecida como bolchevique que pregava a revolução e os seus oponentes, como mencheviques, que defendiam as reformas graduais. 



Após a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, Lenine, que então vivia na Suíça, instou os seus partidários na Rússia de reverter o  conflito anti imperialista numa guerra civil que livraria as classes trabalhadoras do jugo da burguesia e da monarquia. Com o sucesso da Revolução de Fevereiro de 1917 com a abdicação do czar Nicolau II, Lenine retorna clandestinamente à Rússia e trata de organizar a tomada do poder pelos bolcheviques, o que ocorreria em Outubro do mesmo ano.
Ao chegar ao poder, Lenine estabelece um armistício imediato com as Potências Centrais (Alemanha, Áustria e Turquia) e age rapidamente para consolidar o poder do novo Estado soviético, sob o controlo do que passou a ser Partido Comunista bolchevique. Para tanto, os “vermelhos” (revolucionários) tiveram de derrotar os “brancos” (reacionários) em feroz luta e repelir a invasão de 13 potências estrangeiras. 



Em 6 anos de poder, Lenine enfrentou extremas dificuldades para implementar a sua visão de Estado dentro das fronteiras, assim como materializar a revolução internacional. Lenine e o Politburo, que incluía Trotsky, seu fiel seguidor durante a guerra civil, e José Estaline, o secretário-geral do Partido Comunista, trataram de esmagar toda a oposição às políticas proclamadas na constituição da nova União Soviética. 



Lenine sofreu um primeiro derrame em Maio de 1922. O segundo, mais violento, ocorreu em Maio do ano seguinte, deixando-o quase sem fala e praticamente encerrou a sua carreira política. 
Quando Lenine morre, em Janeiro de 1924, na sua casa de campo em Gorki, o Politburo, no meio comoção geral, prepara exéquias excepcionais. Estaline envia um telegrama a Trotsky, que estava ausente de Moscovo, comunicando a morte de Lenine, mas o velho camarada não vai ao funeral. Havia três versões para a ausência de Trotsky: estaria em descanso no sul da Rússia; em tratamento de saúde ou em serviço. Trotsky telefona para Estaline e pergunta quando seriam os funerais. Estaline responde “No sábado.Não conseguirás chegar a tempo, e de qualquer modo nós  aconselhamos-te a permanecer aí com o teu tratamento de saúde”. As cerimónias ocorreram no domingo. Estaline foi o único orador ao lado do caixão mortuário. O povo e os camaradas do partido interpretaram a cena: Estaline transformara-se no herdeiro de Lenine. 


Fontes: Opera Mundi
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O funeral de Lenine - Isaak Brodski


Pintura de Lenine em frente do Instituto Smolny feita por Isaak Brodski
Lenine e Estaline


21 de Janeiro de 1793: Revolução Francesa. Execução de Luís XVI na guilhotina.

Às 10h20, de 21 de Janeiro de 1793, na Praça da Revolução (actual Place de La Concorde), Luís XVI, 39 anos, ex-rei da França, é guilhotinado um dia após ser condenado por conspiração com potências estrangeiras e sentenciado à morte pela Convenção Nacional Francesa.

Preso nas Tulherias com a sua família desde o mês de Agosto de 1792, a Convenção acusa-o de ser um traidor da Nação. As suas derradeiras palavras: “Franceses, eu morro inocente; perdoo os meus inimigos; desejo que minha morte seja...” No entanto, o final da sua frase seria coberto pelo rufar do tambor anunciando a sua execução. Em 16 de Outubro do mesmo ano seria vez da sua mulher Maria Antonieta ser executada na guilhotina em praça pública.     

Luís XVI havia assumido o trono francês em 1774 e desde o começo mostrou-se incapaz de tratar dos graves problemas financeiros que herdara de seu avô, o rei Luís XV. Em 1789, numa desesperada tentativa de resolver a aguda crise por que passava o país, Luís XVI convoca os Estados-Gerais, uma assembleia nacional que representava os três “Estados” do povo francês – a nobreza, o clero e a população comum e que não se haviam reunido desde o longínquo ano de 1614.

Ao longo da década de 1780, vários ministros tentaram ampliar a cobrança de impostos para assim tentar ultrapassar o quadro critico do país. No entanto, o conservadorismo das autoridades reais e a conivência de grande parte da nobreza e do clero impediam a realização dessas mudanças.     

O primeiro estado, o clero, contava com cerca de 120 mil religiosos divididos em alto clero (bispos e abades, muitos deles proprietários de terras) e o baixo clero (padres, monges e abades de pouca condição). O segundo estado, a nobreza, dividia-se entre a nobreza provincial (proprietária de terras) e a nobreza de toga (burgueses que compravam títulos de nobreza da Coroa). O terceiro estado era composto pela esmagadora maioria da população. No topo, a burguesia que se dividia em três categorias: a alta burguesia (banqueiros e grandes empresários). Em seguida, vinha a média burguesia (empresários, professores, profissionais liberais e advogados). Por fim, a pequena burguesia (artesãos, pequenos comerciantes, artistas). Na base do terceiro estado encontrava-se toda a classe trabalhadora francesa.

À parte de formar um estado misto com agudos conflitos entre si, somente os integrantes do terceiro estado arcavam com as taxas e impostos que sustentavam a monarquia francesa.

No hemiciclo da Assembleia Geral, o primeiro estado, sentado à direita, contava com 291 cadeiras; o segundo, no centro, com 270; o terceiro, posicionado à esquerda, contava com 578 cadeiras. Como o voto era dado por Estado, a coligação entre nobreza e clero impedia a aprovação de leis mais avançadas.           
O Terceiro Estado pretendia a adopção de voto por cabeça o que garantiria um amplo leque de reformas. Temendo as consequências o rei ameaçou dissolver os Estados gerais. Revoltados, os membros do Terceiro Estado reuniram-se nos espaços do Jogo da Péla, de onde exigiram a convocação de uma Assembleia Nacional. Sem saída, o monarca decidiu acatar o estabelecimento de uma Assembleia Nacional que aprovaria uma nova Constituição.

Diante da insuportável situação económica vivida, a população começa a  mobilizar-se. No dia 14 de Julho de 1789, uma grande multidão invadiu a Bastilha e libertaram todos aqueles que eram considerados inimigos da realeza. Era o começo da Revolução Francesa.

Em Outubro de 1789, a multidão marchou sobre Versalhes obrigando o casal real a  mudar-se para as Tulherias. Em Junho de 1791, forçaram os reis a fugir para a Áustria. Durante a viagem, Luís e Maria foram detidos em Varennes e reconduzidos a Paris. Ali, Luís XVI teve de aceitar a Constituição de 1791, que o reduziu a mera figura decorativa.

Em Agosto de 1792, os reis foram presos pelos ‘sans-cullottes’ e levados à Conciergerie. Em Setembro, a monarquia é abolida pela Convenção, que substituíra a Assembleia Nacional.
Em Janeiro seguinte, Luís foi considerado culpado e condenado à morte por estreita maioria. Em 21 de Janeiro de 1793, caminhou imperturbável para a guilhotina. 
Fontes: DW
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A execução de Luís XVI
 File:Louis XVI at the Tour du Temple Jean Francois Garneray 1755 1837.jpg


Luís XVI preso na  Tour du Temple - Jean-François Garneray 
 Ficheiro:LouisXVIExecutionBig.jpg
          A execução de Luís XVI

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

20 de Janeiro de 1993: Morre a actriz Audrey Hepburn

Atriz natural da Bélgica, de seu nome verdadeiro Edda Kathleen van Heemstra Hepburn-Ruston, nascida a 4 de maio de 1929, em Bruxelas, filha de um banqueiro inglês e de uma aristocrata holandesa, e falecida a 20 de janeiro de 1993, na Suíça, vítima de cancro do cólon. Com apenas cinco anos, foi enviada para um colégio interno inglês. Em 1939, com os pais separados, mudou-se com a mãe para a Holanda. Nesse mesmo ano, o país foi invadido pelo exército nazi, tendo a família passado enormes privações alimentares. Foi o seu amor pela dança que a levou a suportar os horrores da guerra. Em 1948, ganhou uma bolsa de estudos para estudar ballet em Londres. Paralelamente, tornou-se manequim e a sua beleza guindou-a aos palcos ingleses, onde trabalhou como corista. Estreou-se cinematograficamente, como figurante, em Laughter in Paradise (Uma Bela Piada, 1951). Seguiram-se outas pequenas prestações em The Lavender Hill Mob (Roubei Um Milhão, 1951) e Monte Carlo Baby (1951). Durante as rodagens desta última película, conheceu a escritora Colette que a considerou a mulher ideal para protagonizar a peça que escrevera para a Broadway: Gigi. Hepburn fez enorme sucesso nos palcos e impressionou decisivamente o realizador William Wyler, que procurava uma jovem com ar frágil para interpretar o papel duma princesa europeia que tenta afastar-se da vida palaciana em Roman Holliday (Férias em Roma, 1953). Logo no seu primeiro filme americano, Hepburn arrancou uma enérgica interpretação e, na Noite dos Óscares, surpreendeu tudo e todos, ao suplantar as favoritas Ava Gardner e Deborah Kerr, na conquista do Óscar para Melhor Atriz. Nesse filme, Hepburn vestiu roupa desenhada em exclusivo por Givenchy que seria o seu estilista até à morte. Nos catorze anos seguintes, Hepburn tornou-se numa das atrizes mais requisitadas e bem sucedidas de Hollywood, somando mais quatro nomeações para o Óscar de Melhor Atriz: por Sabrina (1954), The Nun's Story (História duma Freira, 1959), o inesquecível Breakfast at Tiffany's (Boneca de Luxo, 1961) e, finalmente, pelo exigentíssimo papel duma invisual aterrorizada no seu apartamento por um grupo de ladrões em Wait Until Dark (Os Olhos da Noite, 1967). Pelo meio, teve duas inesquecíveis interpretações em dois marcos da história do cinema: o inusitado par romântico que fez com Cary Grant na comédia negra Charade (Charada, 1963) e Eliza Doolitle, uma humilde vendedora de flores transformada numa dama da alta sociedade, em My Fair Lady (Minha Linda Lady, 1964). Entre 1967 e 1976, passou por um período de inatividade devido, a um doloroso divórcio (estivera casada com o ator Mel Ferrer). Nesses nove anos, dedicou-se em exclusivo à educação dos seus dois filhos. Não resistiu ao convite de Richard Lester para personificar uma envelhecida Maid Marian, apaixonada de Robin Hood em Robin and Marian (A Flecha e a Rosa, 1976). Ainda participou em mais dois filmes de qualidade medíocre: o policial Bloodline (Laços de Sangue, 1979), de Terence Young, e They All Laughed (Romance de Nova Iorque, 1981), de Peter Bogdanovich. Em 1987, foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF, tendo lutado pelos direitos das crianças, especialmente as da Etiópia e Somália, países que visitou por diversas vezes. No intervalo da sua atividade humanitária, ainda teve tempo para interpretar a sua derradeira aparição cinematográfica no papel do anjo Hap, em Always (Sempre, 1989), de Steven Spielberg. Recebeu o Prémio Humanitário Jean Hersholt a título póstumo.
Audrey Hepburn. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
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Audrey Hepburn e William Holden no filme Sabrina (1954)
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Breakfast at Tiffany's (1961

20 de Janeiro de 1942: Conferência de Wannsee, a cúpula nazi decide exterminar os judeus

No dia 20 de Janeiro de 1942, a convite de Reinhard Heydrich, chefe da Polícia de Segurança (Sicherheitspolizei) e do Serviço de Segurança (Sicherheitsdienst - SD) da Alemanha nazi, uma reunião entre representantes das SS, do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) e de vários ministérios do Reich tratou da “solução final da questão judaica” (“Endlösung der Judenfrage”). A discussão centrou-se no objectivo de expulsão dos judeus de todas as esferas da vida do povo alemão.
O encontro aconteceu ao meio-dia na sala de jantar do palacete de Wannsee (à beira do lago Wann), nos arredores de Berlim, e durou cerca de 90 minutos. 
Foram discutidas medidas a tomar e o conceito de 'deportação' dos judeus para o Leste Europeu foi alterado para "trabalho apropriado no curso do qual sem dúvida uma grande porção será eliminada por causas naturais" e os "restantes serão... tratados de forma apropriada, porque, se libertados, iriam agir como semente de uma nova restauração judaica". 
Heydrich tinha como objectivo o reconhecimento do seu próprio papel de liderança nas deportações, bem como o envolvimento de ministérios e membros do Partido importantes na preparação para o assassinato dos judeus. Ao mesmo tempo, deveriam ser resolvidos os conflitos das administrações de ocupação alemãs civis na Polónia e nos territórios do Báltico e Leste Europeu (“Ostland”) com os líderes das SS. 

Os participantes fizeram propostas e levantaram objecções em nome dos organismos a que pertenciam, mas em geral mostraram-se dispostos a colaborar. 

Antes, em Julho de 1941, Herman Goering, agindo sob instruções de Hitler, já ordenara que Heydrich e Heinrich Himmler - na altura o número dois do regime - apresentassem “tão cedo quanto possível, um plano geral elencando as medidas administrativas, materiais e financeiras necessárias que levassem à desejada solução final da questão judaica”. 
Heydrich convocou então Adolf Eichmann, chefe doDepartamento Central da Emigração Judaica, e 15 outros altos funcionários de diversos ministérios e organizações nazis para a reunião em Wannsee. A agenda tratou de um único tema e concentrou-se em elaborar um plano a fim de encontrar a “solução final”, como Hitler havia exigido. Diversas propostas repulsivas e espantosas foram abertamente discutidas, inclusive esterilização em massa e deportação para a ilha de Madagáscar.
Heydrich propôs simplesmente o transporte de judeus de todos os cantos da Europa para campos de concentração na Polónia, onde encontrariam a morte. Houve objecções a esta proposta, alegando-se que ela consumiria muito tempo. O que fazer com os que levassem mais tempo para morrer? O que fazer com os milhões de judeus que ainda estavam na Polónia? Embora a expressão “extermínio” não constasse das actas da reunião, estava implícita: quem quer que resistisse às condições de um campo de trabalho forçado deveria ser “tratado adequadamente”. 
Meses mais tarde, o Zyklon-B, em Chelmno, na Polónia, mostrou ser a “solução” que estavam  à procura – o meio mais eficaz de matar grandes grupos de pessoas ao mesmo tempo. Os fornos crematórios, que transformariam cadáveres em cinzas, acabariam por completar a tarefa. 
Todos os cuidados para manter sob sigilo o encontro de Wannsee foram adoptados. Não obstante, descobertas as actas da reunião forneceram provas decisivas durante os Processos de Nuremberga. 
Surgiu aí a expressão “Holocausto” que diz respeito à aniquilação de cerca de 6 milhões de judeus – dois terços da população judaica europeia anterior à Segunda Guerra Mundial – que incluíam 4,5 milhões da Polónia, Ucrânia, Rússia e países bálticos; 750 mil da Hungria e Roménia; 290 mil da Alemanha e Áustria; 105 mil dos Países Baixos; 90 mil da França; 54 mil da Grécia. 
O Holocausto foi único na História na prática do genocídio – a sistemática destruição de um povo devido apenas à religião, raça, etnia, nacionalidade ou preferência sexual – em escala jamais igualada. Além dos judeus, entre 9 e 10 milhões de pessoas – ciganos, eslavos, homossexuais e deficientes físicos – foram exterminados. 

Fontes: Opera Mundi
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Carta de Reinhard Heydrich a Martin Luther, subsecretário de Assuntos Estrangeiros, convidando-o a participar na Conferência de Wannsee (Casa Memorial da Conferência de Wannsee, Berlim)

 
 A mansão no nº 56-58 Am Grossen Wannsee, onde ocorreu a Conferência de Wannsee. Hoje é um memorial e museu.


20 de Janeiro de 1936: Eduardo VIII é proclamado rei da Inglaterra

O rei Jorge V de Inglaterra morreu em 20 de Janeiro de 1936, aos 71 anos. Após a sua morte, a sua esposa, a rainha Mary, ajoelhou-se em frente ao primogénito Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, príncipe de Gales e conde de Chester, o sucessor natural do trono.
Eduardo, 42 anos, foi proclamado rei de Inglaterra. Esta, entretanto, era uma responsabilidade que não combinava com o seu estilo de vida. Ele apreciava festas e gostava de sair com os amigos nobres e ricos e de circular pela alta sociedade. Apesar disso, ou talvez justamente por isso, os súbditos amavam-no.
"Tanto na época em que fui príncipe do País de Gales quanto mais tarde, quando assumi o trono da Inglaterra, sempre recebi manifestações de carinho dos cidadãos, em todos os lugares por onde passei. Eu sou muito grato por isso", afirmou certa vez Eduardo VIII.
Ao contrário do povo, a família real e o governo inglês não viam com bons olhos o comportamento do filho mais velho de Jorge V. Na festa da sua proclamação, Eduardo estava acompanhado de uma mulher que jamais poderia estar presente em tão especial e pomposo momento, de acordo com o rigoroso cerimonial real. Mas ela estava lá: era uma burguesa norte-americana. Duas vezes divorciada. O seu nome: Wallis Simpson.
Eduardo conhecera Wallis numa festa promovida pela amiga Lady Furness. O então príncipe ficou fascinado por aquela mulher elegante e dominadora. Ela lembrava-lhe uma severa governanta que tivera na sua infância. A paixão foi fulminante.
Wallis agia de forma recatada, embora não fizesse segredo que gostava de usufruir de extravagâncias. O ainda marido de Wallis já se havia conformado que a sua mulher tinha outro. Os seus negócios, aliás, iam de vento em popa com a repercussão do caso.
Tudo haveria continuado assim se Eduardo não decidisse que Wallis não podia ser apenas sua amante. Ele queria casar – se com ela, o que era um escândalo. O governo ameaçou depô-lo. Um rei não podia ficar ao lado de uma mulher com tal passado.
No dia 11 de Dezembro de 1936, Eduardo VIII fez o anúncio público da sua abdicação do trono de Inglaterra, alegando que não poderia ser rei sem a ajuda e o apoio da mulher que amava. O seu irmão, pai da actual rainha Isabel, assumiu o trono como Jorge VI. Eduardo casou e foi para o exílio em Paris na companhia de Wallis, que em 1937 se tornaria Duquesa de Windsor.


Fontes: DW
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Retrato de Reginald Grenville Eves, c. 1920
Eduardo VIII cercado por arautos do College of Arms antes de sua única Cerimónia de Abertura do Parlamento, em 3 de Novembro de 1936.

20 de Janeiro de 1554: Nasce D. Sebastião, "O Desejado"

Monarca português, filho do príncipe D. João e de D. Joana de Áustria, nasceu a 20 de Janeiro de 1554, em Lisboa, e morreu a 4 de Agosto de 1578, em Alcácer Quibir. Décimo sexto rei de Portugal (1557-1578), é conhecido pelo cognome de "o Desejado".D. Sebastião herdou o trono de seu avô, D. João III, porque, apesar de este ter tido vários filhos, todos eles acabaram por falecer precocemente. Como era menor, ficou como regente sua avó D. Catarina, apesar de D. João III não ter deixado testamento mas apenas uns apontamentos em que a indicava como regente. Sua mãe, D. Joana, de acordo com o contrato nupcial, teve de regressar a Castela após a morte do príncipe D. João.A regente D. Catarina, por influência do cardeal D. Henrique, começou por pedir ao Papa a fundação da Universidade de Évora, que entregou aos Jesuítas. Continuou a política de D. João III quanto ao Norte de África, querendo abandonar Mazagão, que, entretanto, teve de defender dos ataques mouros. Acusada de sofrer influências da Corte espanhola, pede a demissão de regente nas Cortes de Lisboa de 1562, continuando, no entanto, como tutora de D. Sebastião. Foi eleito como regente, nessa altura, o cardeal D. Henrique, tio de D. Sebastião. Nestas Cortes o povo manifestou a sua apreensão quanto à educação do rei, sobre a questão da sucessão e sobre a inalienabilidade de todo o território nacional, aspectos que D. Henrique vai ter em conta durante a sua regência, até D. Sebastião completar catorze anos. D. Sebastião teve uma educação cuidada, mas era de um temperamento e humor variáveis, sujeito a períodos de depressão, e de carácter um pouco influenciável por aqueles que o cercavam. As lutas que entretanto houve no Norte de África, como na defesa de Mazagão, levavam-no a pensar em futuras acções em África.Quando atinge os catorze anos, em 1568, D. Sebastião toma conta do governo e logo trata de reorganizar o exército, preparando-se para a guerra. Entretanto, para o país, o grande problema era o da sucessão do rei, pois era solteiro e parecia não se preocupar com isso, tendo-se malogrado várias negociações matrimoniais, circunstância que D. Sebastião atribui ao facto de não ter prestígio militar, o que o leva a sonhar cada vez mais com grandes feitos heróicos. Na Corte tentam fazer-lhe ver o perigo de tais acções sem primeiro ter assegurado a sucessão. Mas D. Sebastião ignora tais conselhos e, em 1572, deixa a regência a D. Henrique e faz uma viagem pelo Norte de África. O pretexto que D. Sebastião aguardava aparece com um problema surgido no Magrebe. D. Sebastião toma partido por uma das partes, sonhando dominar essa área e recuperar as praças antes abandonadas. O próprio rei, contra todos os conselhos, parte à frente de um exército que ele próprio preparara. Apesar de toda a bravura no combate, o exército português foi derrotado em Alcácer Quibir, e nessa batalha morre o rei D. Sebastião e uma grande parte da juventude portuguesa. Este desastre vai ter as piores consequências para o país, colocando em perigo a sua independência. O resgate dos sobreviventes ainda mais agravou as dificuldades financeiras do país. O cadáver de D. Sebastião foi encontrado e reconhecido, estando sepultado no Mosteiro dos Jerónimos. A crença popular não aceitou a sua morte e daí nasceu o mito do Sebastianismo.
Como não tinha descendentes, vai-lhe suceder o tio, o cardeal D. Henrique.
D. Sebastião. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.




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D. Sebastião em pintura atribuída a Cristóvão de Morais


Litografia representando D. Sebastião quando criança
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D. Sebastião em pintura atribuída a Cristóvão de MoraisFicheiro:RetratoD.Sebastiao.jpeg
Retrato d'El Rei Dom Sebastião (óleo sobre tela datável dos finais do século XVI ou início do século XVII, patente na Câmara dos azuis)